Alimentação vira dilema para os tripulantes
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Fabrício Lima 
Vitória, 19 (AE)- Latas de ervilha, sardinha, pão, água ou até uma feijoada. São mais algumas preocupações que os tripulantes das embarcações que participam da Regata Eldorado-Brasilis necessitam ter para que tudo saia bem com relação à tripulação. "É uma coisa muito complicada. Não podemos levar qualquer coisa", diz Juan Trócolli, cozinheiro do "Mar sem Fim".
Por ser uma viagem longa, cerca de 15 dias de duração, a escolha do que levar para a alimentação passa a ser um grande dilema. "A verdade é que precisa-se de muita experiência nesses casos. Se não acabamos levando o que não é necessário e perdemos rendimento do barco", explica David de Oliveira comandante do "Fuga II", um veleiro swan de 40 pés, que segundo ele chega a pesar 10 toneladas quando está carregado com os mantimentos.
O comandante necessita elaborar juntamente com o cozinheiro uma boa escolha dos alimentos pensando sempre na duração da viagem. Nos primeiros dias se alimentam com os alimentos mais perecíveis e que possam estragam conforme as condições do tempo. "A saída é levar algumas frutas ainda verdes para que amadureçam no caminho," conta José Augusto Pimenta tripulante do "Josephina" do comandante Jayme Larica. Pimenta se considera um quebra-galho. "Eu faço de tudo. Sou engenheiro mas também dou meus pulos na cozinha", conta.
Espaço também é uma palavra que preocupa. Para levar pães, por exemplo, os velejadores não optam pelos pães de forma. "Já pensou quantos pacotes são necessários para alimentar oito pessoas no barco? Aliás, eles acabam rápido e ocupam muito espaço", explica Juan que já encontrou uma saída para falta de espaço. "O negócio são os pães sírios. São fininhos e duram muito."
Segundo David de Oliveira, quando uma tripulação é muito grande nem sempre as comidas agradam a todos. David, por exemplo
é alérgico a pimenta e bebida destilada não lhe cai bem. "É muito complicado. Sempre optamos por comidas variadas, completas e com muita energia. Ninguém está de dieta aqui no barco. David conta com dois cozinheiros e um deles, Ubiratã Nascentes Alves, trabalhou em restaurantes escandinavos.
Jadir Serra estará levando também carnes o que não deixa de descartar um possível churrasco em alto-mar. Outro que não foge das tradições é Pimenta, que até brinca: "Pode faltar espaço mas sempre arrumamos um para levar algumas latinhas de feijoada."


