Ele nunca experimentou o gosto do café e nem tem idéia de como é o sabor de um refrigerante. Além disso, também nunca tomou água gelada e nem adoçou nada com açúcar porque só usa mel. Não abusa do churrasco e nem cambaleou um dia sequer nesta vida por causa da bebida alcóolica. Virtudes assim, estão reunidas no medalhista Elenilson da Silva, 28 anos, especialista brasileiro em provas de pista que agora corre uma média de 22 quilômetros por dia para conquistar uma boa posição na São Silvestre e se tornar um ‘‘profissional’’ em provas de rua.
A tradicional prova será disputada pela 76ª vez, no domingo, a partir das 17 horas, no masculino. O feminino terá largada às 15 horas. São esperados 14 mil participantes. Os principais competidores já estão chegando a capital paulista, como os favoritos Paul Tergat e Lydia Chemoyo, ambos do Quênia,atuais campeões da prova. A competição vai distribuir uma premiação de R$ 48 mil. Cada campeão levará R$ 12 mil, além de um carro zero quilômetro.
Elenilson conta que as restrições alimentares são naturais e surgiram da forma como foi criado pelos pais. ‘‘Nasci no meio do pantanal mato-grossense e só fui saber que existia refrigerante aos 12 anos, mas mesmo assim, nunca nem quis experimentar’’, diz o atleta. Ele garante que nem um ‘‘biquinho’’ sequer deu em uma ‘‘Coca-Cola’’ gelada e muito menos em um cafezinho.
Acanhado e humilde, Elenilson retrata o oposto das ‘‘estrelas’’ do esporte brasileiro. Para ele, o atleta deve ser modelo de caráter e de profissionalismo, principalmente, para crianças e jovens. ‘‘Sempre digo que espelho sim, estrela não’’, acrescenta o medalhista.
Desde que adotou Maringá – há dois anos porque o treinador Humberto Garcia de Oliveira mora na cidade – Elenilson é figura cativa na pista de atletismo da UEM (Universidade Estadual de Maringá), nos arredores do Vale Azul, clube social e no canteiro central da Avenida Gastão Vidigal, locais de treinos diários do atleta. Como tri-campeão do Troféu Tiradentes de Maringá, uma das mais importantes provas de rua do interior do País, Elenilson acabou conquistando ainda mais a simpatia da comunidade local.
Segundo Elenilson, a fase agora é de ‘‘polimento’’ do físico. O atleta lembra com tristeza das contusões e sinusites que o desgastaram fisicamente e o impediram de participar de competições este ano. A maior perda foi das Olimpíadas. ‘‘Faltou também competições de alto nível para obter índice olímpico’’, lembra ainda o treinador Humberto Oliveira.
Agora porém, o objetivo do medalha de ouro nos 10 mil e de prata nos cinco mil metros de pista no Pan-Americano de 1999, está nos percursos de rua. Condições físicas para chegar lá Elenilson tem, mas o atleta adianta que para este ano estar entre os 10 primeiros da São Silvestre já é uma vitória. A conquista de um lugar no pódio, segundo ele, é trabalho para o próximo ano.
LondrinensesVários londrinenses estarão correndo a tradicional prova paulista. Entre eles está Jurandir Pereira do Carmo (Copacol/CCAA/Natação Parra), que espera conseguir um bom resultado na sua categoria. Embalado pela participação na São Silvestre, Jurandir compôs uma música em homenagem à prova, chamada de ‘‘São Silvestre, um sonho internacional’’. Mais quatro corredores de Londrina estarão largando na corrida de São Paulo: Zilda Bezerra, Ilton Ribeiro, Manoel Francisco e Edivia Ribeiro Correia.

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