Como vieram de outro continente, os quenianos que vivem em Nova Santa Bárbara mantêm alguns dos hábitos que trouxeram da África. Um deles é a alimentação à base de panqueca de farinha de milho e o ucali, uma espécie de polenta feita de fubá branco, sem sal. A panqueca nem sempre eles têm tempo de fazer, já o ucali não pode faltar na mesa, sempre acompanhado de chá mate com leite quente um costume herdado dos ingleses que colonizaram o Quênia. Para dar um gosto àquela polenta, eles fazem um molho de tomate e carne picada.
Eles tomam o chá no almoço e no jantar, em lugar do nosso suco ou refrigerante. Outro item que não falta no cardápio diário é a banana, algo plenamente justificável, afinal todo atleta precisa de reposição de potássio para evitar cãibras.
Na simplicidade da cozinha da casa onde moram, os quenianos fizeram questão de oferecer à equipe de reportagem da Folha o chá quente com leite, muito bom, por sinal, e uma degustação do ucali. Provamos, e como o prato não leva sal, ficou difícil de descer no estômago. Tomamos a coragem de pedir sal ao intérprete dos africanos, o também corredor Rildo Alves do Santos, 36 anos, que mora com os quenianos na casa mantida pelo técnico Coquinho. Ele prontamente nos atendeu, oferecendo um saquinho de Sazon. Enquanto alguns riam ao nos ver temperando o prato, Margaret Karie passou oferecendo copos de leite puro. Nosso fotógrafo mal terminou de beber e a moça voltou a encher o copo, deixando ele sem ação.
''Esses aí tomam leite que nem bezerro. Haja leite nessa casa'', contou entre risos o nosso intérprete. Outra curiosidade é que como os queninanos não têm o hábito de fechar a porta dos quartos, também acabam deixando aberta a porta da geladeira. ''Eu não venço de tanto ter que fechar essa porta. É o dia inteiro. Eles não estão acostumados porque na África nem tinham geladeira'', relatou Santos.
Divertido foi flagrar um dos homens, Elijah Yator, lavando roupa. Quando a reportagem viu ele já estava dentro do tanque pisando uma colcha mergulhada na água e dançando freneticamente ao som de sua música local (um ritmo semelhante ao reggae) com o fone no ouvido. A cena lembrava a de um colono pisando a uva para fazer o vinho no sistema tradicional.
Falando em vinho, vale lembrar do nosso almoço, oferecido logo em seguida por Coquinho no único restaurante da cidade. Depois de tanto ucali com leite, tivemos a satisfação de voltar a desfrutar um prato tipicamente brasileiro: costelinha de porco e galinha caipira, com torresmo, arroz e feijão. (J.K.)

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