ALGUNS VIRAM O JOGO EM BARES, OUTROS NÃO ESTAVAM NEM AÍ
CIDADE OCULTA
ALGUNS VIRAM O JOGO EM BARES,OUTROS NÃO ESTAVAM NEM AÍ
Dorico da SilvaOs Saraiva: atenção a VivianeDorico da SilvaO porteiro José: Sem transmissão pela TV, fico ligado no rádioDorico da SilvaAraújo, no Calçadão: mesma rotinaDorico da SilvaTelões ligados na TV a cabo do Bar Brasil atraíram torcedoresDorico da SilvaLEDO ENGANOOs amigos Sérgio e André comemoravam antes do jogo: Como o Brasil vai ganhar mesmo, já estamos bebendo
Janaina Tupan Frare
De Londrina
Enquanto algumas pessoas se preparavam para assistir ao jogo da Seleção Brasileira no Estádio do Café, outras aproveitaram o começo da noite para passear no calçadão da Avenida Paraná, em Londrina, sem se importar com futebol. É o caso de seo Vanderlei Araújo, 64 anos. Todas as noites ele aproveita o ar fresco para ler o seu jornal em um dos bancos da Avenida Paraná. O futebol não mudou minha rotina. Até gosto, mas prefiro assistir final de campeonato. E mesmo assim, sem sair de casa. Também no calçadão, o pequeno ciclista Gabriel Oliveira, de 2 anos, aproveitava para passear com a família.
Na Lanchonete Grill alguns torcedores resolveram comemorar antes do jogo. Como cerveja combina com futebol e o Brasil vai ganhar mesmo, já estamos bebendo, disse Sérgio Silva, 28 anos, que aproveitou até para brindar a vitória com o amigo André Bernin, 19.
O casal Nilton e Viviane Saraiva viajou 2,5 mil quilômetros, em dois dias, de Rondônia a Londrina, mas não quer nem saber de futebol. As atenções estão todas voltadas para a pequena Viviane, de três meses. Ela é muito novinha para ir ao Estádio. E nós preferimos ficar curtindo a nossa filhinha, diz a mãe coruja.
No terminal de ônibus urbano, no centro da cidade, o movimento era intenso. De um lado, ônibus saíam de cinco em cinco minutos lotados para o Estádio do Café. Do outro, operários que passaram mais de 12 horas no trabalho voltavam cansados para casa.
O metalúrgico Jesus da Silva, 29, disse que, apesar do cansaço, até iria no jogo se já tivesse recebido seu salário. Depois que receber, vou com certeza.
O casal de namorados Rafael Conceição, 19 anos, e Paula Muller, 16, até tentou fugir do futebol. Foram ao cinema, mas não deu certo. Viemos comprar a entrada, mas já estava lotado. Agora, vamos voltar para casa e assistir o jogo pela TV, com nossa família, explicou Paula.
Já José de Jesus, 38 anos, daria tudo para estar no Estádio, assistindo o jogo da Seleção, mas o trabalho de porteiro de um prédio, na rua Gomes Carneiro, o impediu. A solução é o rádio. Assim, fico ligado, sabendo de tudo o que está acontecendo lá.
Apesar de receber as informações pelo rádio, seo José, que mora no bairro com nome de Brasil, se disse indignado por não poder assistir o jogo nem pela TV. Eles poderiam transmitir pelo menos o segundo tempo, porque quem tinha que ir para o ginásio já está lá. Quantos porteiros, como eu, não estão querendo assistir o Brasil jogar?.
Não muito longe dali, dois telões no Bar Brasil transmitiam pelo TV a cabo as imagens que seo José tanto queria assistir. Quase 200 pessoas se reuniram para torcer para a seleção verde-amarela, que acabou apenas empatando em 1 a 1 com o Chile.





