Alguns atletas reinventaram suas próprias vidas
São Paulo - Vários jogadores conseguiram fazer um acordo com o tempo, como canta Caetano em sua "Oração do tempo". Jogaram até onde deu e, a partir daí, reinventaram suas próprias vidas. Ronaldo é um exemplo perfeito. Estrela de seis campanhas publicitárias, comandante de uma agência de marketing esportivo, que gerencia a imagem de Neymar, Lucas e Anderson Silva, e ainda arruma tempo para ser membro do Comitê Local da Copa. No mesmo patamar está Leonardo, poderoso chefão do Paris Saint-Germain. Depois aqueles que se tornaram empresários e, degraus abaixo, um punhado de jogadores que viraram comentaristas.
Túlio quer entrar nesse time. Aos 43 anos, continua sua obsessão (como ele mesmo define) atrás do seu 1.000.º gol (como ele mesmo conta). "Já fiz vários cursos e estou preparado para ser comentarista. Assim que fizer o gol 1000, encerrarei a carreira. Estou tranquilo".
Para criar saídas na parte debaixo da pirâmide, longe dos salários de três ou mais dígitos, o Sindicato dos Atletas criou um programa de capacitação para ex-jogadores. A ideia é usar a fama que ainda trazem no bolso e transformá-la em argumento de vendas. Sim, fazer dos jogadores vendedores. Julio Cesar, bicampeão com a democracia corintiana em 1982/1983, aproveitou a ideia e se tornou representante da Pirelli no Brasil. "No terceiro mês, ganhava mais vendendo pneus do que jogando futebol".
Existe um poema que diz que a melhor forma de driblar o tempo e a morte é com a prole. Pelé, provavelmente o melhor exemplo de atleta que parou na hora certa, deve conhecê-lo. Semana passada, Joshua, seu caçula, estreou no Campeonato Paulista sub-17. "É como se começasse tudo de novo", sorriu, eterno. (G.J./A.E.)





