Áureo Nogueira
De Londrina
A goleada histórica do Brasil sobre a Colômbia (9 a 0, domingo passado) convenceu o técnico Wanderley Luxemburgo a praticamente manter a equipe para enfrentar hoje a arqui-rival Argentina. A única alteração é a saída do lateral-direito Mancini (Atlético Mineiro) para o retorno do volante Baiano (Vitória da Bahia), improvisado na posição no jogo contra a Venezuela e que contra a Colômbia cumpriu a suspensão automática pelo segundo cartão amarelo.
O anúncio do time titular foi feito por Luxemburgo antes do início do treino de ontem à tarde no campo da Associação dos Funcionários Municipais de Londrina (AFML): Fábio Costa; Baiano, Fábio Bilica, Álvaro e Athirson; Marcos Paulo, Fabiano, Edu e Alex; Ronaldinho e Lucas.
‘‘É com esse time que vamos buscar a nossa classificação. Com certeza, a equipe está muito motivada. Já conversamos e tudo está acertado para o jogo com a Argentina’’, disse Luxemburgo, retornando para o centro do campo sem responder a nenhuma pergunta dos jornalistas.
Com essa formação, o Brasil fica mais ofensivo do que nas três primeiras partidas do torneio, quando empatou com o Chile (por 1 a 1), venceu o Equador (2 a 0) e a Venezuela (3 a 0) mas não convenceu e foi vaiado pela torcida. Agora, a expectativa é de que volte a ter bom desempenho, como ocorreu contra a Colômbia, e seja empurrado por cerca de 40 mil pessoas que devem lotar o Estádio do Café.
Para o ‘capitão’ brasileiro, o meia Alex, este jogo entre Brasil e Argentina é a final antecipada do Pré-Olímpico. ‘‘Quem vencer deve ficar com o título. O perdedor vai disputar a segunda vaga’’, disse o meia do Palmeiras. Ele entende que as quatro equipes são qualificadas, mas acredita que a Seleção Brasileira tem condições de vencer os três jogos.
Para alcançar este objetivo, entretanto, Alex acha importante começar bem o quadrangular final. ‘‘Todos os jogos serão difíceis. Respeitamos os adversários, mas temos uma grande equipe e estamos em nosso país. Temos de vencer’’, destacou Alex, acrescentando que uma vitória contra a Argentina vai representar meio caminho andado.
Ele chama a atenção também para a necessidade do Brasil jogar futebol e não responder a eventuais provocações ou violência da Argentina. ‘‘A resposta deve ser dada com gols. Se fizermos o primeiro, temos que correr atrás do segundo e assim por diante.’’
Para Alex, os brasileiros não devem disputar com os argentinos na catimba. ‘‘Nosso negócio é jogar futebol. Eles são muito bons, mas creio que tecnicamente os brasileiros são ainda melhores. Nosso diferencial é o jogo na bola.’’
Um argumento a mais usado por Alex para recomendar resposta à catimba e violência com futebol é a necessidade de terminar a partida com 11 jogadores. ‘‘É um clássico do futebol e deve ser definido no detalhe. Qualquer expulsão pode representar uma grande vantagem para o adversário. Temos que nos preocupar exclusivamente em jogar futebol.’’
Sobre as declarações do volante argentino Scaloni – que declarou ao jornal ‘‘El Clarin’’, de Buenos Aires, que permitiram a classificação dos platinos e que agora eles vão comer todos, a começar pelos brasileiros’’, o meia disse apenas que quem fala o que quer ouve o que não quer.
‘‘A nossa resposta será dada dentro de campo – com gols’’, disse Alex, acrescentando que domingo passado os colombianos pagaram pelo que disseram antes do jogo. ‘‘A Argentina, assim como a Colômbia, pratica grande futebol e podem ganhar do Brasil em qualquer jogo. Mas é preciso ter respeito para com o futebol brasileiro.’’

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