São Paulo - Há três anos, Alex estava no Peru, comandando a festa pela conquista da Copa América. O capitão do time misto do Brasil mostrava com orgulho a taça tomada da favorita Argentina, e sonhava com um futuro de verdade na seleção brasileira. Com direito à Copa do Mundo, afinal vários jogadores medíocres já haviam tido esse privilégio.

Três anos depois, às vésperas de completar 30 anos, o rumo mudou. Tratado como um deus na Turquia, Alex acaba de renovar seu milionário contrato por dois anos com o Fenerbahçe. Lá, é considerado um fenômeno do futebol. Torcida, dirigentes e jornalistas não entendem porque ele não está na equipe de Dunga que está na Venezuela para disputar mais uma Copa América.

Alex, porém, se cansou de pensar e de tentar entender. ''Se nunca jogar uma Copa não muda nada para mim. Sei que sou um vencedor na minha carreira, na minha vida. Isso me basta'', resumiu Alex, em entrevista à Agência Estado.

Agência Estado - Por que você não vai para a Copa América? Zico, técnico do Fenerbahçe, disse que você está na sua melhor forma.
Alex - Ah, é opção do Dunga. De todas as vezes que eu não fui chamado, que eu fiquei fora, foram opções dos treinadores da seleção. Mas eu sou sincero e sei que não fico nada a dever em relação a quem foi chamado para os últimos Mundiais. E mesmo agora na Copa América. Mas respeito, o Dunga chama quem ele acha melhor.

AE - Não ter ido para a Copa de 2002 mudou a sua carreira?
Alex - Mudou. Antes eu tinha como objetivo atuar nos principais times da Itália ou da Espanha. Depois eu não fui chamado por um motivo que desconheço. A partir daí comecei a pensar na estabilidade financeira, na minha família. Surgiu o Fenerbahçe, onde estou feliz.

AE - Por que o Felipão, que o conhecia tão bem, não levou você para a Copa de 2002?
Alex - Eu, o Vampeta e o Edílson fomos para um amistoso em Cuiabá contra a Islândia, time muito ruim, às vésperas da Copa. Ficamos no banco e o Kaká, Kléberson e Gilberto Silva jogaram. Foi um massacre (6 a 1). Sentimos que iria sobrar para nós, que tínhamos participado de todas as Eliminatórias. O Vampeta e o Edílson foram. Eu fiquei fora. O Felipão nunca me explicou. Aquilo mudou a minha vida. E eu nunca mais falei com ele.

AE - Você ficou tão chateado que nem assistiu a Copa pela TV...
Alex - Não vi por vários motivos. Mas o principal foi que a minha mulher sofreu um aborto. Foi um enorme problema pessoal que surgiu bem na época da Copa. Essa época realmente não foi boa para mim.

AE - Mas veio o Parreira, que o levou para a Copa América...
Alex - Sim e eu fiquei feliz. Não só pela conquista porque fui capitão do time. Foi uma boa surpresa porque sempre senti uma distância dele em relação a mim. A Copa América mudou isso.

AE - Só que chegou a Copa do Mundo e você outra vez foi esquecido. Por quê?
Alex - Acredito que foi um problema de esquema. Quando ele passou a usar duas linhas de quatro, com o Ronaldinho Gaúcho e o Kaká abertos pelas pontas, ele deixou de me chamar. Acho que poderia ter ido. Sei que não ficava nada a dever a ninguém que foi.

AE - Com o talento que você tem, não dá uma tristeza poder terminar a carreira sem jogar na Copa?
Alex - Não sou frustrado, magoado, injustiçado. nada disso. Sou um vencedor até com a camisa da seleção. Ganhei duas Copas América (99 e 2004) e ainda consegui títulos nas seleções de base. Fora o que fiz nos clubes em que joguei. Se não for para a Copa, tudo bem. Sei que sempre fiz o meu melhor.

AE - O que te atrapalha?
Alex - Alguns setores importantes da imprensa. Vou dar um exemplo. O Diego foi mal contra a Turquia. A marcação não deixou que ele jogasse. Todos entenderam. Se fosse eu, iriam dizer que tinha tido sono, falta de movimentação. Mas passou o tempo e esses mesmos setores que me criticaram tanto acham que é uma injustiça eu não estar na seleção.

AE - Você tem alguma dívida emocional com algum clube brasileiro, onde fará questão de jogar de novo?
Alex - Sim. O Coritiba. Eu quero dar títulos a esse clube que me lançou. Com o Palmeiras, não. Ganhei quatro títulos importantes e três inéditos para o clube. Com o Cruzeiro, também não me sinto em dívida. Ganhei muito com ele. Dívida emocional só o Coritiba.

AE - Você tem a sua foto levantando a taça da Copa América do Peru? O que sente quando olha para ela?
Alex - Sim. Sinto alegria, festa, felicidade, mas não saudade.

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