Santos, 26 (AE) - Quando o Santos estava tentando a contratação de Hernani em janeiro, a diretoria chegou a colocar o atacante Alessandro numa lista de jogadores que poderiam entrar como parte do pagamento do mineiro. Se o negócio tivesse dado certo, os santistas estariam amargando um grande arrependimento, já que o ponteiro tem sido o destaque da equipe que começa neste domingo a disputa da final do Rio-São Paulo.
As jogadas rápidas, ora pela ponta direita, ora pela esquerda, infernizam a vida dos laterais, que geralmente interrompem o atacante com faltas. "No jogo contra o Botafogo, sofri doze faltas só no primeiro tempo", disse o jogador, que está acostumado a ser caçado dentro de campo. "Eles dizem que vão me quebrar, me ameaçam bastante, mas não posso me intimidar".
A cada provocação dessas, ele geralmente responde com um drible desconcertante, lembrando muitas vezes o maior jogador que o Brasil já teve na ponta-direita: Garrincha. Alessandro, com 25 anos, só viu as jogadas em filmes. "Não dá para acreditar naquilo, eu rio muito com o que ele fazia", disse ele.
Alessandro entende não haver mais espaço para jogar com a liberdade que Garrincha tinha. "Antes, os jogadores de defesa marcavam o corpo e agora fazem a marcação da bola". Mesmo com o futebol moderno, o ponteiro santista tem conseguido fazer jogadas individuais como só se viam antigamente. Mas ajuda na marcação e está sempre pronto para cruzar a bola na área, em busca de um companheiro melhor posicionado.
O técnico José Teixeira, que revelou Alessandro no Novorizontino e fez sua indicação para os dirigentes santistas, costuma dizer que escalava o atacante para humilhar os zagueiros. Antes de ir para a Vila Belmiro, passou pelo Vasco da Gama em 96. "Quase não tive oportunidades lá e o que ficou foi a grande amizade que fiz com os companheiros de lá".
Depois de uma boa campanha na Vila Belmiro, foi liberado pelo técnico Wanderley Luxemburgo para jogar no Japão, pelo Jubilo Iwata. Com isso, o Santos faturou US$ 800 mil e o jogador confessa que ganhou dinheiro suficiente para ajudar seus familiares.
De volta ao Santos, teve um mau campeonato Brasileiro ano passado.
"Estava dois quilos abaixo do peso e me sentia mal durante os jogos", revelou. Atualmente, está com 72 quilos. "É meu peso ideal e essa é uma das razões para a boa fase".
Baiano de Teixeira de Freitas, Alessandro é casado e sua mulher, Ana Paula, está grávida de dois meses. E foi nas ruas da Bahia que ele aprendeu a dar a cambalhotas, que usa até hoje para comemorar os gols.
"Na capoeira, elas são do tipo mortal solto, mas tem também a estrela", ensina.
O ponteiro acha que o fato de Luxemburgo tê-lo liberado para o futebol japonês quando era técnico santista não vai prejudicar seus planos de chegar à Seleção. "Foi uma transação boa para o clube e tem que ser entendida dessa forma", disse ele, sonhando em ser um dia convocado.
"No dia em que não acreditar que vou para a Seleção, largo o futebol".

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