A vitória da Alemanha, por 2 a 1, ontem, sobre o México, foi a conquista de um estilo genuinamente alemão. A opinião é do atacante Jurgen Klinsmann, que marcou seu 11º gol em Copas do Mundo. ‘‘Não temos o brilho do futebol sul-americano ou, mais especificamente, do brasileiro’’, disse Klinsmann, capitão da equipe. ‘‘Jogamos realmente duro, com determinação, buscando apenas o resultado positivo e não o espetáculo.’’
O resultado garantiu a Alemanha nas quartas-de-final. Os alemães jogarão sábado, às 16 horas, em Lyon, contra o vencedor de Romênia x Croácia, que se enfrentam hoje.
Klinsmann falou com o orgulho ferido - constantemente criticado, o time dirigido por Berti Vogts não conseguiu, até ontem, demonstrar a qualidade necessária para se garantir entre os candidatos ao título. Encerrada a partida, os jornalistas alemães cumprimentaram o treinador pela atuação.
Para Klinsmann, a partida de ontem foi exemplar - não bastasse o forte calor, o time enfrentou ainda uma desvantagem inesperada com o gol do México, aos 2 minutos do segundo tempo, feito pelo atacante Hernández. ‘‘Parecia injusto porque, na primeira etapa, fomos superiores taticamente’’, afirmou o atacante. O próprio Hernández poderia ter selado a sorte da Alemanha se tivesse aproveitado um ótimo passe de Blanco, num rápido contra-ataque mexicano. O México teve outra grande chance quando Matthaus, na tentativa de desarmar um atacante mexicano, mandou a bola contra a própria trave alemã.
A reação, porém, foi imediata. ‘‘Enquanto os mexicanos comemoravam, conversamos e procuramos rapidamente descobrir o que estava errado e sair em busca do empate’’, afirma Klinsmann Incansáveis, os alemães repetiam suas jogadas, sem se desesperar com o passar do tempo.
Mesmo cansado, Klinsmann continou no comando do ataque, buscando alternativas pelas laterais. ‘‘Eu tinha de demonstrar minha confiança e otimismo para manter o ritmo do time’’, conta. ‘‘A equipe alemã tem uma força de vontade impressionante e conseguiu manter o México recuado em seu campo.’’ O exemplo, porém, deveria partir do próprio atacante: o gol que marcou, empatando a partida, aos 30 minutos, provocou o efeito esperado. ‘‘Não acredito que foi um gol salvador, mas principalmente libertador’’, disse Klinsmann. ‘‘Com a situação novamente igualada, o time teve muito mais energia para conseguir a vitória.’’ A virada alemã veio com um gol de Bierhoff, de cabeça, aos 41m.
Klinsmann acredita que a atuação da Alemanha ontem é a mais próxima da pretendida pelo técnico Berti Vogts. ‘‘Principalmente no primeiro tempo, quando criamos uma série de jogadas que só não foram perfeitas por não trazer o gol’’, afirmou. ‘‘Mas, depois de tantas críticas, creio que agora só podemos ser elogiados.’’

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