Alemanha precisa quebrar tabu contra 1º escalão
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segunda-feira, 26 de junho de 2006
Fernando Duarte<br> Agência O Globo 
Berlim - Não é apenas a Argentina que surge como obstáculo para o sonho alemão de conquistar um tetracampeonato mundial em seu quintal. Na partida de sexta-feira, pelas quartas-de-final da Copa de 2006, no Estádio Olímpico de Berlim, a equipe de Jurgen Klinsmann precisará quebrar o tabu do pedigree. Desde a vitória de 1 a 0 sobre a Inglaterra, em outubro de 2000 (e que também foi a última partida realizada no antigo estádio de Wembley), os alemães não conseguem levar a melhor em confrontos com adversários do primeiro escalão do futebol. Uma escrita que ajudou em muito nos prognósticos de que os anfitriões poderiam ter sérios problemas no torneio.
O último bom resultado foi uma goleada de 4 a 1, diante da Espanha, em Hannover, num amistoso. Nas 16 partidas restantes, o melhor que os tricampeões mundiais puderam fazer foi empatar seis vezes. Entre as 11 derrotas estão a da final do Mundial de 2002 e a das semifinais da última Copa das Confederações, ambas diante do Brasil, e duas surras aplicadas por Itália e a Inglaterra os 5 a 1 de Munique, em setembro de 2001, por sinal, foram o pior resultado alemão em seu território. Há ainda uma derrota por 1 a 0 para a Argentina em 2002.
Nada capaz de franzir demais a testa de Klinsmann. Até porque, desde que ele assumiu o time, no segundo semestre de 2004, a Alemanha teve duas boas atuações nas duas vezes em que jogou contra o segundo time mais famoso da América do Sul (em ambas, houve empate em 2 a 2). E o treinador também pode acenar com a estatística pessoal de que jamais perdeu para a Argentina nos tempos de jogador, incluindo a final do Mundial de 1990, em que sofreu o pênalti que deu o terceiro título mundial ao país de Beckenbauer.
''Os argentinos são certamente de um calibre bem diferente das outras equipes que enfrentamos até agora, mas podem ser batidos. Fizemos duas partidas de igual para igual com eles nos últimos tempos, e não foi fácil para a Argentina passar pelo México nas oitvas-de-final. Vamos entrar em campo sexta-feira sabendo que podemos derrotá-los. Não temos medo de ninguém'', afirmou Klinsmann ontem.
O treinador aproveitou a entrevista coletiva no Centro Internacional de Convenções de Berlim para dementir os rumores de que estaria em negociações para assumir a seleção dos EUA após o Mundial Klinsmann vive na Califórnia , algo que foi muito criticado pela mídia alemã, para quem o comandante da seleção alemã não poderia estar baseado no outro lado do Atlântico. ''Essa especulação é normal, mas não me interessa.''
Ainda mais porque há problemas mais imediatos até que o jogo com a Argentina para serem resolvidos. Um deles é o orgulho ferido de Oliver Khan, de quem Klinsmann tirou a braçadeira de capitão quando assumiu e, às vésperas da Copa, a posição de goleiro titular, agora em poder de Jens Lehmann, o maior desafeto do jogador do Bayern de Munique. Khan criticou o treinador numa entrevista publicada no domingo pela revista ''Der Spiegel'', mas Klinsmann foi para lá de diplomático ao comentar o assunto.
''É difícil para Oliver aceitar a situação e não vejo problema quando ele diz que deveria ser o titular. Gosto de saber que os jogadores na reserva estão motivados, sendo que a experiência e carisma de Oliver são importantes para o time'', desconversou o treinador.
Pisar em ovos é fundamental no caso de um jogador que pertence a um dos clubes mais poderosos do mundo em que tem três colegas apenas no time titular.


