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AFP Photo/Pierre-Philippe Marcou

Filho de pai tunisiano, Khedira teve atuação impecável frente Argentina







Cidade do Cabo - Durante uma conferência do partido conservador do OVP (Partido Popular Austríaco), em setembro de 2008, a chanceler alemã Angela Merkel afirmou ser contra a miscigenação de culturas. Pois neste sábado, no estádio Green Point, na Cidade do Cabo, a política não se conteve e aplaudiu bastante sua miscigenada seleção, classificada para as semifinais da Copa do Mundo da África do Sul com uma histórica goleada sobre a Argentina, de Diego Maradona e Lionel Messi, por 4 a 0.

Dos 23 jogadores relacionados pelo técnico Joachim Löow para a disputa do Mundial, 11 têm origens fora da Alemanha, sendo cinco titulares da equipe. Coisa inimaginável há alguns décadas. O ''coração'' da equipe é formado por Sami Khedira, do Stuttgart, e Mesut ™zil, do Werder Bremen. Os dois fizeram parte da equipe que obteve o título europeu inédito sub-21, no ano passado, na Suécia. Khedira tem pai tunisiano e não se intimida em usar o dialeto Suábia, comum na região de Stuttgart, onde nasceu. Já ™zil é de família turca.

O lateral-esquerdo Jerome Boateng, do Hamburgo, com um belo sotaque de Berlim, afirma não sofrer nenhum tipo de problema pelo fato de seu pai ser de Gana. Nem mesmo depois de seu irmão, Prince, ter deixado o ídolo Michael Ballack fora do Mundial, após cometer uma falta em um jogo pela final da Copa da Inglaterra há um mês do início da Copa. ''A união da força física do jogador africano com a determinação tática do alemão garante uma ótima mistura''.

Reserva de Boateng, Dennis Aogo, atua pelo Karlsruhe e tem origem nigeriana. O lateral não tem medo de afirmar que não sabe cantar o hino alemão. ''Muitas pessoas reclamam que alguns de nossos jogadores não cantam o hino nacional. Mas também tem gente que reclama de cortes de cabelo ou outras coisas. Não podemos agradar a todos'', afirmou Oliver Bierhoff, diretor-técnico da seleção alemã na África do Sul.

A imigração também está presente entre os grandes ídolos da atualidade. Os atacantes Lukas Podolski e Miroslav Klose são nascidos na Polônia. ''É maravilhoso como esses jogadores se esforçam ao máximo pela Alemanha'', seguiu Bierhoff.

O Brasil também está presente neste conjunto de nações. Claudemir Jerônimo Barreto, o Cacau, de 29 anos, nasceu em Santo André, mas fez quase toda a sua carreira na Alemanha. Após apenas 12 jogos pelo Nacional, Cacau, aos 18 anos, foi para o Turk Gucu Munchen, da Quinta Divisão alemã. ''Todos eles falam um razoável alemão. Nos damos muito bem'', afirmou o goleiro Manuel Neuer. Como pode-se ver, Angela Merkel estava errada em sua análise. Para o bem da Alemanha e do futebol.

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