Na última chance de mostrar serviço, os alemães foram impecáveis. Ontem, em Zurique, nas exposições finais dos países-candidatos para receber a Copa de 2006, a Alemanha usou uma estratégia agressiva e criativa e passou a ameaçar a África do Sul, até então a favorita absoluta à vitória.
Hoje, no prédio da Fifa (entidade máxima do futebol), os 24 integrantes de seu comitê executivo se reúnem para escolher a sede da segunda Copa do século 21. A divulgação do país vencedor está marcada para às 9 horas (de Brasília).
Até ontem, a candidatura sul-africana aparecia como a virtual vencedora. O projeto tem como principal ponto forte o desejo de Joseph Blatter, presidente da Fifa, de realizar um rodízio entre os continentes que recebem a competição, idéia já defendida por seu antecessor, João Havelange.
Com a desistência da candidatura do Brasil, nesta semana, restaram dois países europeus (Alemanha e Inglaterra) e dois africanos (Marrocos e África do Sul).
Como a última Copa aconteceu na França e a próxima será dividida entre Japão e Coréia do Sul, os países africanos levariam vantagem – o continente nunca recebeu a competição. E, entre eles, a África do Sul foi a mais bem avaliada nas inspeções da Fifa.
Toda essa teoria, porém, caiu por terra após as apresentações de ontem. Enquanto os adversários fizeram exposições burocráticas e semelhantes umas às outras, com leituras de discursos e filmes de crianças jogando bola, os alemães surpreenderam positivamente.
A tela do auditório passou a exibir um filme: uma ‘‘corrente humana’’ cruzando a Alemanha passava, de mão em mão, um tufo de grama, que acabou com um senhor engravatado. Nesse instante, Franz Beckenbauer, maior jogador alemão da história e comandante da candidatura, entrou no auditório, trazendo o tal tufo de grama, com uma bola de futebol sobre ele.
‘‘Esse é o centro do gramado do estádio Olímpico de Munique. É lá que queremos receber a abertura da Copa de 2006’’, declarou. ‘‘Mas vou precisar devolver, porque daqui a pouco começa a temporada e o Bayern precisa jogar’’, completou, bem-humorado.
Beckenbauer, então, convocou ao palco sua ‘‘tropa de choque’’. Sob aplausos do comitê, entraram na sala, entre outros, o chanceler alemão Gerhard Schroeder, a supermodelo Claudia Schiffer e o ex-tenista Boris Becker. Mas só quem falou, com entusiasmo, foi Beckenbauer.
A África do Sul contou com a presença de Roger Milla, ex-jogador de Camarões, e Inglaterra e Marrocos foram representados pelos presidentes de seus comitês, Bobby Charlton e Driss Benhima, respectivamente.

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