Curitiba - Parte da grande colônia alemã da Capital acompanhou a partida em um dos mais tradicionais redutos da cultura germânica, o famoso Bar do Alemão (como é conhecido o Schwarzald - Floresta Negra na língua teutônica), localizado no Largo da Ordem. Seguindo a tradição iniciada na Copa do Mundo de 1986, disputada no México, a casa monta telões para que os torcedores possam assistir às partidas das duas seleções mais populares entre os frequentadores do bar: a alemã e a brasileira. Apenas em caso de duelo entre as duas equipes, como na final de 2002, o bar permanece fechado, para evitar problemas causados por pessoas que não sabem torcer.
Algo que passa longe dos frequentadores habituais do ''Alemão'', que querem mesmo fazer festa, ainda mais em dia de um grande clássico do futebol mundial, como foi o confronto com a Ingalterra. ''A gente começou a reunir alguns amigos para ver os jogos e depois, com o sucesso, decidimos abrir a casa normalmente nos dias de jogo'' conta Jorge Klettke Tonatto, gerente-geral do bar, que teve sua lotação esgotada antes mesmo da bola rolar.
Entre os presentes, uma mescla de germânicos legítimos, descendentes e brasileiros sem maiores laços com a Alemanha, mas que gostam de futebol, da culinária e claro, de chopp. Entre os mais animados, destaque para duas jovens alemãs que vieram estudar administração no Brasil. Há um ano em Curitiba, Andrea Burghaus e Anne Kettmann puxavam os gritos de incentivo na língua de seu país natal. E, animadas com o início fulminante da seleção alemã, que abriu dois gols de vantagem, arriscavam palpites para a vitória. ''Sempre venho assistir aos jogos aqui e pretendo não perder nenhum até a final. Acho que hoje vai ser 3 a 1'', arriscou Andrea, que errou por pouco o placar final do jogo.
A festa alemã, ainda mais depois da goleada sobre os tradicionais rivais, teve direito a grupo folclórico e muita música, numa alegria que nada deixou a dever à da torcida brasileira em dias de jogos da nossa seleção. Integrante do grupo folclórico ''Original Einigkeit Tanzgruppe'', Adriano Malhadas, que apesar do sobrenome não esconde a origem alemã, inclusive nos trajes típicos, celebrava o fato de ver duas goleadas alemãs em meio à colônia germânica. ''O jogo com a Austrália foi uma festa só, e hoje (ontem) não vai ser diferente'', contava, prevendo uma celebração sem hora para acabar.

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