Alemães fazem revolução colorida
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sábado, 17 de junho de 2006
Agência O Globo 
Munique - Uma revolução silenciosa, porém colorida, está desabrochando na sociedade alemã durante a Copa do Mundo. Mais de 60 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os alemães voltaram a desfraldar a bandeira do país e usar suas cores em roupas e objetos. O fenômeno, que vem sendo discutido pela imprensa nacional, é exaltado por um dos maiores estudiosos das consequências do nazismo sobre o povo alemão, o jornalista e escritor Stephan Lebert.
Lebert é o autor de ''Tu carregas o meu nome'', traduzido em mais de 15 países. Fruto de uma pesquisa exaustiva, o livro, editado no Brasil pela Record, relata o destino dos filhos dos principais líderes do Terceiro Reich. Filho de Norbert Lebert o primeiro jornalista a tocar no assunto, em 1959 o escritor admite que, a princípio, via o excesso de bandeiras alemãs nas ruas apenas como parte da decoração para a Copa. Mas agora avalia que há algo se desenrolando além disso.
O escritor, de 45 anos, admite que sempre teve problemas para se orgulhar de ter nascido no país. ''A Copa tem me ajudado a lidar melhor com isso. Afinal, estamos recebendo gente do mundo inteiro. Se todos os estrangeiros saírem do país sem reclamar de nós, acho que a mudança será maior. Seria algo novo para mim'', afirma Lebert.
Este sentimento de culpa que, de certa forma, impede muitos alemães de voltarem a exaltar sua pátria, não pôde ser expiado no Mundial de 1974, vencido pela Alemanha de Beckenbauer. Naquela época, o país estava dividido pelo Muro de Berlim em duas partes: o ocidente capitalista e o oriente comunista, o que comprometia qualquer tipo de sentimento nacionalista. Hoje, os alemães recebem o mundo como um povo só. Além do mais, ressalta Lebert, os horrores do nazismo ainda estavam mais frescos na cabeça de todos há 22 anos.
Recentemente, um dos mais importantes líderes de esquerda do país, Haus-Christian Stroebele (Partido Verde), aderiu à onda amarela, vermelha e negra com uma declaração contundente: ''Antes eu odiava a bandeira da Alemanha. Ainda não a ponho na minha janela, mas já não me incomodo em vê-la''.


