Foz do Iguaçu, 18 (AE) - Márcio Amoroso dos Santos, que completa 25 anos no próximo mês, já viveu em sua curta carreira o lado bom e o lado ruim do futebol. Em 1994, explodiu no Guarani, foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro, melhor jogador da competição, o que lhe valeu a convocação para a seleção e a fama.
Pouco depois, uma séria contusão no joelho e praticamente quatro anos no ostracismo. Hoje, negociado com o Parma por US$ 35 milhões e com lugar cativo no time de Wanderley Luxemburgo, Amoroso deu a volta por cima e, segundo ele, aprendeu a "dar mais valor à vida".
Em entrevista exclusiva, o atacante relembrou os momentos de altos e baixos com a bola e revelou que tem como meta principal, quando largar os campos, obter um diploma universitário.
"Quando voltar ao Brasil, farei um supletivo e vou cursar Educação Física: será um exemplo para os filhos, um incentivo a mais para eles estudarem", disse ele, que largou os estudos no primeiro ano do 2º grau e não se contenta em ser apenas um atleta realizado profissionalmente e financeiramente. "Não adianta ter dinheiro e não ter cultura", afirmou.
Mas Amoroso espera jogar mais oito anos, todos eles na Europa, onde, segundo ele, amadureceu como homem e jogador, e onde quer criar o filho Giovani Luca. Quando chegou lá, há três anos, para defender a pequena Udinese, ele não tinha certeza sobre o futuro. "Depois de operar o joelho nos Estados Unidos, eu pensei que nunca mais voltaria a jogar da mesma forma: tinha medo, receio", disse ele.
Para voltar a jogar futebol, Amoroso enfrentou um martírio. Foram sete meses de fisioterapia na clínica de Nivaldo Baldo, em Campinas; oito horas diárias de exercícios. Antes de ser vendido do Guarani para a Itália, Amoroso teve uma passagem discreta, mas vitoriosa pelo Flamengo, onde foi campeão estadual.
"Mas eu precisava mudar de ares, sair do país para recuperar a confiança", disse Amoroso. O craque embarcou para Údine, dois dias após ter se casado com Raquel. Lá, mais decepção. Muito frio e seis meses de jejum antes de marcar o primeiro gol, apesar da ajuda de Zico, ex-ídolo do clube, que esteve na sua apresentação. "É o cara mais completo que eu conheci, como homem e jogador: 100%", elogiou Amoroso.
"Na Udinese, fiquei esquecido; achei estranho o Zagallo nunca mais ter me convocado, mas lá aprendi o que é profissionalismo, disciplina tática, e colaborei para o clube disputar a Copa da Uefa por três anos consecutivos."
Sem esse aprendizado, Amoroso acredita que não teria conseguido assinar um contrato de cinco anos com o Parma, numa transferência milionária, e, principalmente, retornar à seleção.
"Para um jogador que se formou na Europa, como eu, é mais fácil adaptar-se à filosofia do Wanderley Luxemburgo: disciplina
respeito e profissionalismo; para mim, é uma honra estar na seleção", afirmou o craque sobre o técnico, que é um de seus grandes fãs.
"Quando eu era juvenil do Guarani, o Wanderley era o treinador do profissional e eu fiz alguns treinos com ele", disse Amoroso. "Ele era magrelo, perna fina, mas já jogava para caramba", retribuiu Luxemburgo.
Na seleção, Amoroso fez sete jogos e cinco gols e não parece muito preocupado em disputar posição com Ronaldinho, Romário, Edmundo, Élber e companhia. "Responsabilidade maior do que tentar uma vaga na frente é ter que vestir a camisa 10 da seleção", afirmou ele, que gosta mesmo é de jogar com a 7.
Homem de tantos planos, Amoroso tem como prioridade atual conquistar a Copa América e consolidar-se na seleção, "já que ninguém sabe o dia de amanhã".

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