Aldair e Giovanni contra a França
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de junho de 1997
Sebastião Reis, 
da Agência Estado
Além de colocar Aldair e Giovanni nos lugares de Márcio Santos e Djalminha, Zagalo decidiu rever o esquema tático da Seleção Brasileira para o Torneio da França. Preocupado em evitar outro resultado surpreendente, como a derrota para a Noruega, por 4 x 2, sexta-feira, em Oslo, o treinador vai impor um estilo de jogo parecido com o que foi utilizado na Copa de 94, quando o time era dirigido por Carlos Alberto Parreira. O primeiro teste será contra os franceses, amanhã, no Estádio Gerland.
Em vez de marcar por pressão, na frente, como vinha acontecendo, a equipe recuará para combater em seu campo e explorar a velocidade e habilidade dos jogadores nos contra-ataques. A primeira experiência foi feita ontem à tarde, no estádio de Ville Franche, sob chuva intermitente e temperatura em torno de 10 graus. O treinador mandou o ataque marcar a saída de bola do time reserva, no início, apenas para fazer uma experiência. Queria mostrar que isso não significava ter poder ofensivo. Depois, recuou os jogadores. O único gol, marcado por Giovanni, depois de um passe de Roberto Carlos, surgiu a partir dessa alteração.
Embora garanta que é impossível a equipe repetir os erros cometidos diante da Noruega, Zagalo não quer correr mais riscos. Um fracasso no Torneio da França pode abalar o time para a Copa América e, mais do que isso, colocar em dúvida o trabalho da comissão técnica para a Copa de 98. Ele disse aos jogadores que os adversários estão esperando a Seleção Brasileira aberta. O que eles mais querem é que nós joguemos assim, advertiu.
Convencido de que a França é o adversário mais difícil da competição, por jogar em casa e ter um time técnico e aplicado taticamente, o treinador quer analisar o adversário nos primeiros minutos. A Seleção Brasileira vai esperar em seu campo, consciente de que a França, por sua característica e por ter o incentivo da torcida, vai partir para o ataque.
Críticas A derrota para a Noruega fez com que a seleção brasileira realizasse o primeiro treino tático, coisa rara nos últimos tempos, e começou a expor insatisfações dentro do elenco. Zagalo, que reclama de falta de tempo para preparar o grupo da forma que considera ideal, testou o ataque titular contra a defesa titular, usando apenas metade do campo, num trabalho que serviu tanto para testar a defesa com Célio Silva e Aldair, quanto para observar o ataque com Giovanni na função do 1.
Apesar de o time estar reunido há poucos dias, alguns jogadores já demonstram impaciência com a concentração e com a reserva. O atacante Paulo Nunes, do Grêmio, foi o primeiro a expor publicamente a sua insatisfação. Ao comentar o fato de a comissão técnica ter recusado cedê-lo para defender o Grêmio no segundo jogo com o Cruzeiro, pela Taça Libertadores, terça-feira, em Porto Alegre, o craque questionou o fato de estar esquecido. Não estou arrependido de ter vindo para a seleção, mas chateado por ser um mero coadjuvante, afirmou. O mais difícil, segundo Paulo Nunes, é perceber que as chances de brigar por uma posição na equipe ou até mesmo entrar durante um jogo praticamente inexiste. Trabalhar sabendo que pode haver uma compensação é importante, mas ver que não há nada pela frente é difícil, desabafou.


