Acabou a paciência dos jogadores do Londrina/Sercomtel. Na tarde ontem, o líbero Alan Domingos, principal jogador da equipe, confirmou que ele e seus companheiros na equipe de vôlei já se organizam para entrar com uma ação junto à Justiça do Trabalho para receber os salários atrasados. Segundo o atleta, que também defende a seleção brasileira, a dívida com os jogadores é de cerca de 50% dos vencimentos.
Alan e os demais jogadores cansaram de esperar um desfecho sobre a situação da equipe. De acordo com o jogador, foram inúmeras as vezes em que tentaram contato com Luiz Maccagnan, presidente do Instituto Pró Esporte, mantenedor da equipe, para saber novidades sobre o futuro do time. Todas em vão. ''Estamos quase em agosto e ele sequer atende o telefone para nos passar uma posição'', revelou Alan.
Ele conta ter recebido do companheiro Guilherme, que atuará junto com ele no recém-criado RJX, do Rio de Janeiro, a notícia de que o time não terá patrocinador para iniciar uma nova temporada. ''Acabei de falar com o Guilherme e me contou que recebeu do Mateus Goebel (vice-presidente) a notícia de que não haverá patrocinador. E agora, como fica?'', questionou.
A dupla que comandava o time em quadra promete também não medir esforços para receber o que tem direito. Alan e Guilherme já contataram um advogado para formatar uma ação conjunta contra o instituto administrado por Maccagnan. ''Não quero nem diálogo mais com o Maccagnan. Demos um voto de confiança, mas ele sequer nos atende. Claro que não queríamos deixar chegar a este ponto, mas por outro lado, trabalhamos, fizemos uma boa campanha e temos direito de receber. Vou até o fim'', esbravejou Alan.
O Londrina/Sercomtel iniciou sua campanha na Superliga Masculina em outubro do ano passado. Dois meses depois, o líbero da seleção brasileira foi o primeiro a reclamar de salários atrasados e da falta de organização da diretoria do time, que, segundo ele, não havia nem confeccionado os contratos dos jogadores. ''Chegamos a ficar sem hotel quando fomos jogar em Volta Redonda. Logo no primeiro salário, abri mão de uma parte para saldar dívidas da própria equipe'', contou o jogador, que se recupera de uma lesão na mão.
Era o indício de que as coisas não terminariam bem. Após o término da primeira fase, em abril deste ano, em que terminou na nona colocação, o clube contabilizava cerca de R$ 400 mil em dívidas. Na tentativa de amenizar o saldo negativo, os dirigentes chegaram a organizar uma ação entre amigos que sorteou um carro importado. A ação terminou sem vencedor, já que nenhum dos números sorteados havia sido vendido.
''Ele (Luiz) não soube administrar o time. Montou uma equipe de R$ 1,4 milhão e só tinha R$ 800 mil. Tivemos muitos problemas fora de quadra e tivemos que omitir para não atrapalhar dentro de quadra. Foi uma temporada que quero esquecer'', finalizou Alan, sem poupar críticas a Maccagnan.
Do outro lado, o presidente disse estar surpreso com a atitude do atleta. ''O combinado era que eles (jogadores) teriam que esperar até o dia 31, que foi o prazo estipulado para apresentar uma solução aos atletas. Estou estranhando toda esta situação'', afirmou Maccagnan, que ainda evita cravar o fim do projeto. ''Por mais que a situação esteja difícil, ainda não posso falar, pois o prazo é dia 31 e ainda não posso descartar nada'', continuou.
Maccagnan ainda contestou as críticas à estrutura do clube, feitas por Alan. ''Eles sempre tiveram estrutura comparável aos grandes times, com bons hotéis e restaurantes, além do ginásio'', rebateu o dirigente.

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