Ele é a principal aposta do novo time de vôlei de Londrina para a Superliga 2010/2011. Tal responsalibidade não é à toa. Alan Domingos, 30, acaba de sagrar-se campeão mundial com a seleção brasileira de vôlei, na Itália, no início deste mês. Mas, se o que estivesse valendo, fosse a primeira vontade de Alan, ele estaria hoje em outra seleção.
A carreira deste mineiro de Uberlândia, que decola agora com a presença no time de Bernardinho, começou de forma inusitada. Ele gostava mesmo era da bola de futebol, mas as chances foram poucas no esporte mais popular do Brasil. Sem espaço no time de futebol que disputaria os Jogos Abertos de Mato Grosso do Sul (JAMS), Alan, então com 16 anos, pegou a última vaga que restava no time de vôlei e não se arrependeu.
''Estavam acabando as inscrições e só tinha uma vaga de levantador no time de vôlei. Foi a melhor escolha que fiz na vida'', contou o campeão mundial, que depois dos JAMS realizou peneiras no extinto Banespa (SP) e no São Caetano, mas só seria aprovado na quarta delas, em 1996, no Olympikus, onde o técnico era Bebeto de Freitas.
Lá, ele conseguiu se destacar em meio a um monte de feras, como Nalbert, Carlão e o argentino Milinkovic, e logo recebeu propostas para atuar fora do Brasil. O primeiro grande contrato na Europa foi com o Noliko Maaseik, onde foi campeão da Copa Belga, em 2004. Dois anos mais tarde, acertou com o Dínamo Moscou, onde faturou o Campeonato Russo.
Já os anos seguintes na Rússia foram os piores da carreira. No Locomotiv Belgorod, Alan rompeu o tendão de Aquiles e teve que voltar ao Brasil, devido à falta de assistência do time russo. ''Foram os piores anos, sofri demais. O time não deu assistência nenhuma, tive até que pagar minha passagem para voltar embora. Até hoje não recebi os salários atrasados'', contou o atleta.
E quando ele achava que as coisas iriam melhorar, veio a segunda lesão, em maio de 2009, no mesmo local e cinco meses após a primeira. Alan chegou a pensar que não jogaria mais. Mas a volta por cima veio com a ajuda do técnico da seleção, Bernardinho, que apostou na sua recuperação e o convocou para o Mundial da Itália.
Agora, as atenções de Alan estão voltadas para o Londrina/Sercomtel, que já treina há mais de um mês na cidade e tem uma meta ambiciosa já para o primeiro ano na Superliga: ficar entre os oito que avançam à segunda fase. O jogador conta que está bem fisicamente e não foge da responsabilidade no novo desafio da sua carreira.
''Sei da minha responsabilidade dentro da equipe, mas todos terão a sua parcela. No vôlei, o coletivo tem que estar acima do individual. Jogadores com mais experiência terão que decidir nos momentos decisivos'', disse, apostando na mescla de experiência e juventude da nova equipe. ''É uma receita interessante para um campeonato longo. Agora é treinar muito para acertar o time para a estreia'', complementou Alan, citando o jogo contra Montes Claros, no próximo dia 13, na casa do adversário.

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