Alan, a mina de ouro do Tubarão
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quinta-feira, 04 de maio de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Alan Douglas Borges de Carvalho. O torcedor do Londrina certamente nunca ouviu falar nesse nome. Por enquanto, porque logo vai ouvir. Pelo menos é o que garante toda a diretoria do clube. A cartolagem alviceleste aposta que o atacante de 16 anos deve ser o primeiro a escrever seu nome na história contemporânea do Londrina, após o cinqüentenário de fundação.
Os números do jogador realmente impressionam. Em apenas sete jogos no Campeonato Paranaense Juvenil, Alan fez 15 gols média de 2,14 por jogo. Fora sua principal qualidade, balançar as redes rivais, ele é rápido, tranqüilo, joga de cabeça erguida e não pensa duas vezes ao servir o colega que está melhor posicionado.
Tanta qualidade já fez brilhar os olhos dos dirigentes do Tubarão. Para eles, o garoto pode ser a solução para a crise financeira do clube. É dinheiro certo em caixa. Fazia tempo que não aparecia um jogador assim. É dinheiro em caixa e vai ajudar muito financeiramente o Londrina, comemorou o vice-presidente de futebol, Persius Sampaio.
Alan nasceu em Barbosa, no interior de São Paulo. Filho de um vigia de banco com uma dona de casa, o garoto de família humilde desembarcou em Londrina, trazido pelo coordenador-técnico das categorias de base, Udélton Prates, em fevereiro deste ano.
Apesar de ter idade para jogar no juvenil, certamente será titular do time Sub-20 que disputará o Campeonato Brasileiro da categoria, no Rio Grande do Sul, e será aproveitado no time profissional no ano que vem. A gente tem um sonho e é preciso arriscar. Por isso vim pra Londrina. Aqui o futebol é mais pegado, mas me adaptei rápido, disse o garoto tímido, de poucas palavras mas muito futebol, que se espelha em Robinho, ídolo da nova geração dos
santistas.
E ele quer seguir os passos do craque do Real Madrid. Espero ser um grande jogador, estar numa seleção brasileira. Mas tudo tem seu tempo e as coisas vêm naturalmente, contou Alan.
A passagem de Alan pelo Londrina, no entanto, pode não ser muito longa. Em apenas três meses de clube ele já chama a atenção de grandes equipes brasileiras. Atlético-PR e Vasco sondaram o jogador. O Astral, de Curitiba, é outro que tentou tirá-lo do LEC. Já o São Paulo foi quem apresentou uma proposta para o Londrina.
O jogador foi visto no mês passado pelo olheiro do Tricolor, Pupo Gimenez, que ficou encantado com seu futebol. A cúpula são-paulina não perdeu tempo e teria oferecido R$ 300 mil por 50% dos direitos federativos do atleta. Apesar de ter dito não, a diretoria alviceleste, que espera lucrar uma quantia maior com o jogador, admite que Alan deve seguir o rumo do Morumbi. A hora em que chegar uma proposta concreta de um time de ponta por 50% dos direitos, podemos fazer negócio. É melhor ter 50% dele no São Paulo do que ter 100% em Londrina. Se estourar mesmo, o lucro será muito maior, observou
Sampaio.
E para tentar segurar o garoto até aparecer uma proposta milionária, o clube já fez um contrato longo, de cinco anos de duração, com um salário bastante alto em se tratando de um atleta ainda juvenil: cerca de R$ 1 mil mensais um atleta juvenil geralmente recebe menos de R$ 300 apenas como ajuda de custo. O valor da multa rescisória não foi revelado, mas está na casa de R$ 1 milhão.


