Michael Jordan, superastro do Chicago Bulls, anuncia hoje sua aposentadoria. O armador de 35 anos é considerado o melhor jogador da história do basquete e um dos mais populares esportistas do planeta. Nesta década, conduziu os Bulls a dois tricampeonatos (91 a 93 e 96 a 98) na NBA, a liga profissional norte-americana de basquete. A saída de Jordan já foi antecipada por grandes jornais norte-americanos, como The New York Times e US Today.
Companheiros de time de Jordan dizem acreditar que é verdade, devido à falta de treinamento do jogador para esta temporada. ‘‘Ele costuma se preparar melhor do que todos, mas, pelo que sei, desta vez está jogando golfe e passeando nas Bahamas’’, disse o armador Steve Kerr. Jordan deve comunicar oficialmente sua decisão em uma entrevista coletiva hoje, em Chicago.
Nascido no Brooklyn, Nova York, em 17 de fevereiro de 1963, Jordan iniciou a carreira nos Bulls 21 anos depois, após se destacar na Universidade de North Carolina, onde fora campeão em 1982.
Ele foi o terceiro atleta a ser selecionado no ‘‘draft’’ (vestibular) de 1984 da NBA, atrás dos pivôs Hakeem Olajuwon e Sam Bowie. Nos Bulls, única equipe que defendeu na NBA, Jordan ganhou fama por movimentos acrobáticos, tremenda capacidade de impulsão (foi apelidado de ‘‘Air Jordan’’) e liderança em quadra. Na defesa, era mestre, exímio ‘‘ladrão’’ de bolas. No ataque, era quase imarcável. Quando ‘‘voava’’ para uma enterrada, sua marca registrada era a língua para fora. Supersticioso, usa por baixo das cores dos Bulls o uniforme com que foi campeão na universidade.
Em 1984, em Los Angeles, e em 1992, em Barcelona, fez parte das seleções norte-americanas de basquete que conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Foi escolhido pela liga, três anos atrás, como um dos 50 melhores jogadores da história da NBA.
Com 29.277 pontos - não incluídos os de playoffs e All-Star Games, que não são levados em conta nessa estatística -, Jordan é o terceiro jogador que mais marcou na NBA, atrás dos legendários Kareem Abdul-Jabbar (38.387) e Wilt Chamberlain (31.419). Sua média por jogo, porém, supera a dos dois pivôs: 31,5 pontos, recorde individual na liga, contra 24,6 pontos de Abdul-Jabbar e 30,1 pontos de Chamberlain.
Não é a primeira vez que Jordan se aposenta da NBA. Depois do título de 1993, deixou as quadras e decidiu tentar a sorte no beisebol profissional, onde passou a ganhar US$ 10 mil/ano nas ligas menores. Sem sucesso com o taco, retornou aos Bulls em 1995, com a camiseta 45. A equipe caiu nos playoffs, e na temporada seguinte o armador voltou a vestir a tradicional 23.
Na última temporada, Jordan foi o jogador mais bem pago na NBA: recebeu US$ 33,14 milhões em salários. Com os ganhos dos contratos publicitários, ele embolsou mais de US$ 40 milhões. Casado, pai de dois filhos e de uma filha, Jordan destina parte de seu dinheiro para instituições de caridade em Chicago.
‘‘Por cima’’, amparado na última conquista dos Bulls, na qual fez a cesta decisiva para o título, Jordan deixa a NBA no momento em que a liga mais precisa dele. Desprestigiada junto aos fãs por causa de um locaute (greve de patrões) que durou seis meses, a direção da NBA contava com o carisma de Jordan para ganhar novamente a confiança dos torcedores.
A aposentadoria de Michael Jordan marca o início de um desmanche no vitorioso Chicago Bulls. Jordan cumpre o prometido após o último título, quando afirmou que deixaria as quadras se Phil Jackson - seu técnico em todas as seis conquistas - não renovasse contrato com o Chicago.
Sem Jordan, devem trocar de time os alas Scottie Pippen, fiel escudeiro do armador em todos os títulos, e Dennis Rodman, melhor reboteiro da NBA e presente nos últimos três campeonatos.
Os Bulls, na verdade, só contam com quatro jogadores sob contrato: os alas Toni Kukoc, Ron Harper e Keith Booth e o armador Randy Brown - deles, só Harper era titular. Desse modo, a diretoria da equipe terá que se desdobrar até o início dos jogos - em 5 de fevereiro - para formar uma equipe com o mínimo de competitividade.

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