Ainda vou treinar um time grande
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terça-feira, 18 de março de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Em uma cena do filme ''Boleiros'', de Ugo Giorgetti, um dos personagens, um ex-jogador que trabalha como técnico, dispara, entre a euforia e a amargura: ''Sempre sonho com futebol. Mas nunca sonho que estou gritando ao lado do campo, dando instrução. Eu sonho que estou dentro do campo, jogando, chutando a bola''.
Quando as chuteiras saem dos pés, deixam de ser o ganha-pão de um boleiro, abre-se um vazio difícil de ser preenchido. O vestiário do pós-jogo deixa de ser parâmetro para felicidade ou tristeza. No futebol, quando as pernas estão cansadas e o coração parece já ter resistido a todas as emoções, é hora de decidir qual rumo tomar. É hora de devolver, de alguma maneira, o próprio sentido da vida.
Édson Vieira, o menino-prodígio do Londrina nos anos 80, já deixou esta fase de melancolia para trás. O sentimento é outro: fome por vitórias e consagração na nova empreitada. ''Amo minha profissão e tenho certeza que um dia irei estar à frente de um grande clube''.
Ele já é treinador, com curso e estágio. Tem a ambição e disposição para começar o longo caminho que leva ao olimpo. Mas por enquanto terá que passar por outras fases.
Ontem, ele deu o primeiro passo importante para aproveitar a segunda chance da vida para brilhar. Nem precisará deixar Londrina, a cidade que chegou com 14 anos (aos 15, ele estreou no profissional do LEC, sendo talvez o mais jovem atleta da história do time). A 25 quilômetros da sua ''cidade do coração'' está Rolândia, terra do Nacional Atlético Clube (NAC), um dos mais tradicionais do Norte do Estado e inspirador do LEC.
O clube começa a disputar no próximo dia 20 a Segundona do Estadual, desta vez com pretensões a altura das pretensões do novo treinador. ''Vamos entrar no campeonato para subir''.
O NAC ainda não tem elenco formado. No ano passado, o clube terceirizou seu futebol e passou por extremas dificuldades financeiras, afetando até mesmo a alimentação dos jogadores. O time fez uma das piores campanhas do ano passado e acabou sendo socorrido pela administração municipal.
O futebol profissional está sendo reestruturado por Cícero Afonso da Silva, o empresário paulista que já bancou o Londrina no Paranaense 2001 e que ficou conhecido por ser procurador do meias Nem e Edmílson. Cinquenta empresários da cidade se cotizaram e devem ajudar a bancar as despesas.


