'Ainda tenho cartucho para queimar'
São Paulo - Entre 2001 e 2008, a ginástica feminina brasileira viveu momentos de glória, com resultados importantes e lua de mel com imprensa e torcedores. Após a Olimpíada de Pequim, a situação começou a mudar. A equipe permanente em Curitiba foi desfeita e cada atleta voltou para seu clube. Jade Barbosa revelou ter um grave problema no punho que poderia fazê-la desistir da ginástica. Daiane dos Santos passou por cirurgias e foi pega no doping. Daniele Hypólito, em contraponto, teve bons resultados nos últimos dois anos.
Mas, às vésperas do ano olímpico, a dificuldade aumentou. Mesmo com o grupo completo, a seleção brasileira foi mal no Mundial de Tóquio, com o 14º lugar por equipes. No Pan de Guadalajara, mais problemas. A pressão pelo mau desempenho no Mundial e um 6º lugar por equipes fez uma crise ser deflagrada, com atletas reclamando, publicamente, de diferenças no relacionamento.
''Foi um ano tumultuado'', recorda Daniele. ''Mas eu me saí bem. Depois de 10 anos, voltei a ser finalista do individual geral no Mundial (ficou em 13º lugar) e ganhei as duas medalhas do feminino no Pan (bronze no solo e na trave).''
Porém, mais do que com a desconfiança, Daniele teve que lidar com a avaliação negativa sobre sua idade. Em muitos momentos, os maus resultados da seleção foram creditados à falta de renovação do time. ''Mas eu e a Daiane fizemos o certo. No Pré-Olímpico, mostramos o porque de ainda estarmos na seleção. Uma menina nova provavelmente não teria a calma e a frieza que eu tive. Agora as pessoas entendem a importância das atletas experientes'', afirma.
Dever cumprido
Em Londres, após a execução da série na trave, Daniele deixou o tablado e, na escada, sentou-se para chorar compulsivamente. ''Ali foi meu desabafo. Aquela coisa de 'consegui, estou com o dever cumprido'. Estava agradecendo a Deus e pensando em tudo o que a gente tinha passado. Foi quando o meu 2011 acabou'', explica.
Ela retornou aos treinos na última segunda-feira, após um período de férias. Em março, disputará duas etapas da Copa do Mundo e, no mês seguinte, um torneio no Brasil. Ainda brigará pelo 11º título nacional.
''Quero estar melhor na Olimpíada. São seis meses para treinar e ainda tenho cartucho para queimar na ginástica'', garante. E não só para Londres. O sonho de Daniele Hypólito é disputar, às vésperas de completar 32 anos, os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. (A.R./A.E.)





