Os jogadores do Londrina ainda não receberam os salários relativos ao mês de agosto. Às 18 horas de ontem, o coordenador-geral do clube, Célio Guergoletto, recebeu a informação, transmitida pelo gabinete do secretário-geral da Prefeitura, Gino Azollini, de que o dinheiro chegaria ‘‘mais tarde’’.
Guergoletto aguardou até as 20h30. ‘‘Acredito que eles mandarão o cheque amanhã (hoje) na hora do pagamento dos prêmios’’, supõe Guergoletto, referindo-se aos R$ 22 mil acumulados pelo empate contra a Desportiva (R$ 7 mil) e pela vitória sobre o Náutico (R$ 15 mil). O prefeito Antonio Belinati é esperado às 11h30 de hoje no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD) para entregar o dinheiro.
Quanto aos salários, faltam R$ 80 mil para complementar a folha de pagamento de agosto. Belinati prometeu um repasse mensal de R$ 100 mil. Em julho, liberou a metade. Portanto, o acumulado era de R$ 150 mil. No início da semana, o prefeito repassou R$ 70 mil. Faltam R$ 80 mil.
A peregrinação dos dirigentes começou na segunda-feira, quando houve os primeiros telefonemas para o secretário municipal Gino Azollini. O presidente do Conselho Deliberativo, Antonio Amaral, também compareceu ao gabinete de Belinati para tentar uma ‘solução rápida’.
Na noite de terça-feira, Amaral e Guergoletto, participaram de um jantar com Belinati. Durante o encontro, Guergoletto sugeriu que Belinati pagasseos prêmios não hoje, mas na próxima semana. A prioridade, ele argumentou, eram os salários. No entanto, Belinati, segundo Guergoletto, respondeu que entregaria os prêmios no prazo combinado.
Na quarta-feira pela manhã, Guergoletto e Amaral voltaram à Prefeitura. Belinati não se encontrava. Às 16 horas, Amaral, que estava na sala de Guergoletto na Câmara Municipal, telefonou para Azollini, que adiou a liberação dos R$ 80 mil para o período da tarde de anteontem. Guergoletto estava impaciente. ‘‘Amaral, vamos encarar os jogadores. Não temos nada a esconder de ninguém.’’
Guergoletto perguntou a Amaral se valeria a pena entregar cheques pré-datados aos jogadores. Amaral convenceu Guergoletto de que seria arriscado. ‘‘Deus me livre, isso nunca... Não temos dinheiro para assumir esse risco. Se fosse o caso, seria mais digno se a gente renunciasse...’’ Guergoletto, então, cedeu aos argumentos de Amaral. ‘‘Você tem razão. A gente sabe o quanto batalhamos para reconquistar a credibilidade do Londrina.’’
Às 18h30, os dois foram ao VGD para relatar tudo aos jogadores, que acabavam de chegar de um treinamento (corridas e exercícios) no Zerão. As justificativas para o atraso no pagamento de agosto acalmaram o grupo. Amaral e Guergoletto saíram de lá bastante aliviados.
A missão parecia cumprida. Para hoje, antes do coletivo, está previsto - quem sabe - o último capítulo da ‘via crucis’.

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