Enquanto diretoria e comissão técnica ainda discutem se é viável sua permanência no clube, o meia-atacante Nem, 30 anos, artilheiro do Tubarão no Campeonato Paranaense deste ano com cinco gols, ainda tem esperanças de que este imbróglio lhe proporcione um desfecho feliz. Ontem, treinando ao lado de Rocha, Scharles e Paraguaio, jogadores liberados pelo clube, o artilheiro disse que gostaria, mas não foi convidado a se juntar ao elenco que faz a inter-temporada em Cornélio Procópio. Não guarda rancor de ninguém, mas não esconde uma certa frustração pode ter sido preterido às vésperas da estréia na Série B do Campeonato Brasileiro.
Nem pediu um reajuste salarial para jogar até o final do campeonato. Mas garante que os valores não extrapolam a realidade financeira do clube. ''Acho que não é necessário nem mesmo um empresário para ajudar''. Lamenta, entre outras coisas considera ele não ter tido a chance de fazer uma contra-proposta.
O presidente Carlos Alberto Garcia reafirmou ontem à Folha que a situação permanece indefinida. ''Tudo precisa ser feito de forma democrática''. Como o contrato do jogador vence no final do mês, Garcia acredita que ainda há um certo tempo para esgotar o assunto. Acompanhe alguns trechos da entrevista com o jogador.
Folha - Como você está se sentindo no meio deste choque de opiniões, com o presidente querendo sua permanência e o técnico Raul Plassmann não?
Nem - Estou tranquilo, vou cumprir meu contrato até 30 de abril. Meu desejo sempre foi ficar no Londrina, mas estou sabendo que o Raul não quer assim. Acho que ele não gostou do meu futebol, fiz o máximo no Paranaense para ajudar a equipe.
Folha - Você pediu muito para ficar?
Nem - Não, só apresentei uma proposta um pouco acima do teto salarial. Eles me ofereceram R$ 3 mil, eu disse que queria R$ 5 mil, e ficou nisso mesmo.
Folha - Eles não quiseram negociar?
Nem - Isso mesmo, não deram oportunidade de se chegar num consenso.
Folha - Como você tem contrato até o final do mês, houve o convite para participar da inter-temporada em Cornélio?
Nem - Não, não houve, e agora o Raul e o Lico (supervisor) dizem nos jornais que estão tristes porque não quis treinar junto com o elenco. Foi o próprio presidente que comunicou que eu teria que ficar treinando separado.
Folha - Na sua opinião, a decisão da comissão técnica seguiu critérios técnicos ou pessoais?
Nem - Não sei, nunca tive problemas com ninguém, seja com o Raul ou o Lico. Durante o Paranaense convivi muito bem com eles. Dentro de campo, procurei fazer o meu trabalho. Agora, fora dele, não tenho que provar nada para ninguém.
Folha - Diante desta confusão, ainda há chances do Nem ficar?
Nem - Agora já não sei, por mim ficaria.

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