Ainda não se sabe se haverá lucro ou prejuízo
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de setembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
As discussões sobre as vantagens ou desvantagens econômicas que Sydney terá por ser a sede do último megaevento esportivo do milênio começaram quando a cidade foi eleita organizadora dos Jogos, em 1993, e devem seguir até o fechamento do caixa, quando o balanço apontar lucros ou prejuízos.
A infra-estrutura necessária para receber 10.200 atletas, de 200 países, disputando 28 esportes, exigiu investimentos de A$ 5,8 bilhões (dólares australianos) ou cerca de US$ 3,36 bilhões (pelo câmbio atual), na operação olímpica.
A maior fatia dos investimentos foi para o palco dos Jogos. A construção e remodelação dos locais das competições consumiram A$ 3,3 bilhões (US$ 1,91 bilhão). A maior parte do dinheiro foi destinada à Baía de Homebush, onde hoje está o Parque Olímpico de Sydney, sede das disputas de 14 esportes.
O Estádio Olímpico palco das cerimônias de abertura e de encerramento, das finais do futebol e do torneio de atletismo custou A$ 690 milhões (US$ 400 milhões). No Superdome, ginásio para 18 mil pessoas, em que serão disputados o basquete e a ginástica, foram investidos A$ 200 milhões (US$ 116 milhões).
O governo quase não pôs dinheiro nas obras, financiadas por empresas em troca da exploração dos equipamentos por 30 anos. As piscinas onde nadarão o ídolo australiano Ian Thorpe e o brasileiro Gustavo Borges em busca de medalhas estavam à disposição do público antes dos Jogos e voltarão a ser um espaço de divertimento e lazer para a população depois da Olimpíada. Cada ingresso custa US$ 6,00.
O governo de Nova Gales do Sul, cuja capital é Sydney, tem o argumento político de estar oferecendo infra-estrutura social e de lazer para a população, a quem também serão vendidas as casas usadas como Vila Olímpica para atletas e jornalistas. O Comitê Organizador dos Jogos de Sydney (Socog) e o governo afirmam que a Olimpíada será lucrativa. O incremento esperado na economia é de US$ 6,1 bilhões. O governo calcula que a Olimpíada atrairá 1,5 milhão de turistas além dos que normalmente vão à Austrália em 1999, o país recebeu 4,3 milhões de visitantes, com um movimento calculado em A$ 7,2 bilhões (US$ 4,1 bilhões).
As receitas também são provenientes de um projeto quadrienal do Comitê Olímpico Internacional (COI). O programa de marketing para os Jogos de Sydney originou ingressos de receitas com as vendas dos direitos de transmissão de TV, entradas, patrocínios e licenciamentos. As receitas foram arrecadadas pelo Socog e pelo movimento olímpico, representado pelo COI (e suas 28 federações internacionais de esportes de verão e 200 comitês olímpicos nacionais), e também distribuídas entre eles.
As projeções indicam que o movimento olímpico vai fechar o período de 1997 a 2000 com uma verba de US$ 2,6 bilhões só com a Olimpíada. O Socog ficará com 60%, cerca de US$ 1,6 bilhão. A venda dos direitos de televisão representa a maior receita, tanto para o Socog quanto para o COI. Não se sabe quais serão os lucros. Os ingressos ainda continuam à venda e os turistas não param de chegar. Mas o COI já foi obrigado a criar um fundo de emergência para captar recursos que não foram obtidos com os patrocínios nem a venda antecipada de ingressos.


