As discussões sobre as vantagens ou desvantagens econômicas que Sydney terá por ser a sede do último megaevento esportivo do milênio começaram quando a cidade foi eleita organizadora dos Jogos, em 1993, e devem seguir até o fechamento do ‘‘caixa’’, quando o balanço apontar lucros ou prejuízos.
A infra-estrutura necessária para receber 10.200 atletas, de 200 países, disputando 28 esportes, exigiu investimentos de A$ 5,8 bilhões (dólares australianos) ou cerca de US$ 3,36 bilhões (pelo câmbio atual), na operação olímpica.
A maior fatia dos investimentos foi para o palco dos Jogos. A construção e remodelação dos locais das competições consumiram A$ 3,3 bilhões (US$ 1,91 bilhão). A maior parte do dinheiro foi destinada à Baía de Homebush, onde hoje está o Parque Olímpico de Sydney, sede das disputas de 14 esportes.
O Estádio Olímpico – palco das cerimônias de abertura e de encerramento, das finais do futebol e do torneio de atletismo – custou A$ 690 milhões (US$ 400 milhões). No Superdome, ginásio para 18 mil pessoas, em que serão disputados o basquete e a ginástica, foram investidos A$ 200 milhões (US$ 116 milhões).
O governo quase não pôs dinheiro nas obras, financiadas por empresas em troca da exploração dos equipamentos por 30 anos. As piscinas onde nadarão o ídolo australiano Ian Thorpe e o brasileiro Gustavo Borges em busca de medalhas estavam à disposição do público antes dos Jogos e voltarão a ser um espaço de divertimento e lazer para a população depois da Olimpíada. Cada ingresso custa US$ 6,00.
O governo de Nova Gales do Sul, cuja capital é Sydney, tem o argumento político de estar oferecendo infra-estrutura social e de lazer para a população, a quem também serão vendidas as casas usadas como Vila Olímpica para atletas e jornalistas. O Comitê Organizador dos Jogos de Sydney (Socog) e o governo afirmam que a Olimpíada será lucrativa. O incremento esperado na economia é de US$ 6,1 bilhões. O governo calcula que a Olimpíada atrairá 1,5 milhão de turistas além dos que normalmente vão à Austrália – em 1999, o país recebeu 4,3 milhões de visitantes, com um movimento calculado em A$ 7,2 bilhões (US$ 4,1 bilhões).
As receitas também são provenientes de um projeto quadrienal do Comitê Olímpico Internacional (COI). O programa de marketing para os Jogos de Sydney originou ingressos de receitas com as vendas dos direitos de transmissão de TV, entradas, patrocínios e licenciamentos. As receitas foram arrecadadas pelo Socog e pelo movimento olímpico, representado pelo COI (e suas 28 federações internacionais de esportes de verão e 200 comitês olímpicos nacionais), e também distribuídas entre eles.
As projeções indicam que o movimento olímpico vai fechar o período de 1997 a 2000 com uma verba de US$ 2,6 bilhões só com a Olimpíada. O Socog ficará com 60%, cerca de US$ 1,6 bilhão. A venda dos direitos de televisão representa a maior receita, tanto para o Socog quanto para o COI. Não se sabe quais serão os lucros. Os ingressos ainda continuam à venda e os turistas não param de chegar. Mas o COI já foi obrigado a criar um fundo de emergência para captar recursos que não foram obtidos com os patrocínios nem a venda antecipada de ingressos.

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