Águas passadas
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domingo, 06 de novembro de 2011
João Fortes <br> Reportagem Local 
Durante muitos anos a natação viveu um cenário glamoroso em Londrina. Nas piscinas dos principais clubes esportivos da cidade eram treinadas equipes cheias de talento e que se destacavam em competições regionais, estaduais e até nacionais. E não era raro a revelação de nomes importantes do esporte, dos quais alguns até despontaram como representantes do Brasil em competições internacionais.
Com o passar do tempo as águas da natação londrinense foram esfriando e atualmente pouco se nota do esporte na cidade. Na última edição dos Jogos da Juventude, em Campo Mourão, por exemplo, a equipe formada por 16 atletas não conquistou nenhum título e trouxe apenas cinco medalhas, sendo quatro de uma única nadadora, Mariana Olguim, que ganhou dois ouros e duas pratas. A outra medalha, de bronze, foi obtida por Vitor Rodrigues.
A atleta, que ''salvou'' a delegação de Londrina nos Jojup's, tem 16 anos e pretende levar a natação a sério. Mas sabe que, atualmente, em Londrina, a carreira de nadadora não tem muito futuro e logo deve procurar outro município para intensificar os treinamentos. ''Acho que falta uma estrutura de equipe, com fisioterapeuta, preparador físico, nutricionista, etc. Também falta incentivo e se o atleta quiser alguma coisa a mais precisa sair mesmo. Já estou pensando em fazer isso'', adianta Mariana.
Ela tem como técnico Waldemar Blota Silva, o ''Dema'', um paulista que mora há 23 anos em Londrina e fez parte da fase áurea da natação na cidade.
Treinou atletas como Diogo Yabe, que participou das últimas três edições dos Jogos Pan-Americanos e dos Jogos Olímpicos de Atenas, e atualmente mora em Brasília. ''Acho que por volta de 1996 foi o auge da natação em Londrina, mas lá por 2002 a coisa já começou a decair'', avalia Dema.
Na piscina da Arel, ele dá aulas de natação e treina alguns nadadores como Mariana, que querem participar de competições. ''Tem uma molecada boa na cidade, mas não tem uma estrutura de equipe que os mantenha aqui'', afirma.
Exemplo disso é outro nadador que é treinado por Dema. Irineu Luiz Stroka, de 17 anos, foi recordista dos 800 metros livres, na edição do ano passado dos Jogos da Juventude e conquistou quatro medalhas. O desempenho lhe rendeu a coquista de uma bolsa do Governo Estadual, o Talento Olímpico. Mesmo assim, ele já tem quase certeza de que no ano que vem não irá mais morar em Londrina. ''Está meio que certo que vou treinar no Curitibano no ano que vem. O negócio é sair mesmo, não tem jeito'', declara Stroka.
Ex-árbitro da CBDA e atual treinador de nadadores de base e master da AFML, Fauzi Burihan também viu de perto a ascensão e queda do esporte em Londrina. ''Os clubes pararam de investir em natação competitiva'', decreta Burihan.
Outro argumento compartilhado pelos dois treinadores é a falta de um espaço público para a prática da natação em Londrina. ''Acho que a maior falha é não ter uma piscina pública, pois assim poderíamos concentrar o trabalho de uma equipe, independente dos atletas serem sócios ou não de um clube'', observa Dema. ''No Paraná temos várias cidades que contam com piscina pública. É o caso de Curitiba, Foz do Iguaçu, Campo Mourão e Maringá. E não é algo caro para um município. Uma piscina de 25 metros, por exemplo, deve custar uns R$ 600 mil'', ressalta Burihan.
Assim como Dema, ele faz parte da Associação Londrinense de Natação (ALN), entidade que foi criada para tentar manter a força do esporte na cidade. A própria Associação também acabou perdendo o rumo e há alguns anos, pela falta de documentação, perdeu o certificado de utilidade pública. Burihan explica que agora a entidade tenta se reorganizar para levantar o esporte. ''Não dá para depender apenas dos clubes e verba pública. Mas nós também ainda estamos muito desorganizados. Por isso estamos fazendo várias reuniões para tentar resgatar e reestruturar a natação''.


