Porto Alegre, 25 (AE) - O atacante Darzoni, do Santo Angelo, que desferiu um soco no rosto do zagueiro Régis, do Caxias, deixando-o em estado de coma, recebeu uma pena de somente 29 dias de suspensão do futebol, mais multa de 120 Ufirs ou cerca de R$ 120,00. Como já cumpre punição administrativa, Darzoni poderá voltar à profissão dentro de 20 dias.
Definida na noite de quarta-feira, pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), a penalidade seria de 90 dias porém, como a Lei Pelé estabelece que nenhum jogador pode ser punido por mais de 29, acabou sendo reduzida. O restante da punição foi transformado em multa.
O advogado Sérgio Leal Martinez, presidente da 1ª Comissão Disciplinar, do TJD, que julgou Darzoni, lamentou que a punição tenha sido tão leve. Definiu como "uma aberração" o decreto que regulamentou a Lei Pelé, que fixou a barreira dos 29 dias, mas reparou que o tribunal não poderia fugir ao que determina a legislação. Martinez foi voto vencido na estipulação da multa pecuniária. Ele queria impor a quantia de R$ 61 mil. Confessando estar constrangido pela brandura da pena determinada
o presidente da comissão disciplinar pretendia um castigo exemplar para que o jogador jamais praticasse algo semelhante.
"Agora, o atleta pode voltar a jogar, dar um soco em outro, que só receberá 29 dias de suspensão e pagará mais 120 Ufirs", lamentou. Médico acredita que Régis não voltará a jogar futebol No mesmo dia, o treinador Guilherme Macuglia e o dirigente Adão Marques, ambos do Santo Angelo, foram julgados pelo TJD e receberam penas mais severas que Darzoni.
Macuglia, que não bateu em ninguém, tomou 80 dias de suspensão por atitude inconveniente na partida Santo Angelo 1 x 1 Caxias, realizada no dia 13, a mesma em que Darzoni nocateou Régis. Macuglia foi penalizado por ofensas ao árbitro Nairon Silva e por chutar uma bola contra um jogador do Caxias. A pena de Marques foi de 30 dias, por invasão de campo. Martinez observou que as penalidades foram mais duras porque a Lei Pelé não é aplicável a treinadores e dirigentes.
Régis completou nesta quinta-feira, 15 dias em estado de coma. Continua hospitalizado e sua recuperação é "bastante lenta", segundo o médico Aloir de Oliveira, do Caxias. No mesmo dia, Oliveira previu que o zagueiro tem "chances muito pequenas" de voltar ao futebol. Para ele, a gravidade do choque, que provocou um edema cerebral, e a lentidão no restabelecimento seriam os principais indicadores desta dificuldade.
Oliveira admitiu que Régis pode "a qualquer momento" recuperar a consciência mas acha mais provável que o zagueiro fique até "um mês em coma". O jogador continua respirando por seus próprios meios, ajudado por uma traqueostomia feita na quarta-feira. E, aos poucos, vai recuperando a mobilidade de braços e pernas.

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