O ano era 2004 e uma polêmica esquentou o futsal catarinense. Mariana Cavalcanti, na época com 7 anos, foi proibida pela Federação Catarinense de Futsal de disputar o estadual masculino por uma equipe de Blumenau. Não demorou para despontar por todos os cantos casos parecidos. Em Londrina, não foi diferente. Aos 10 anos em 2004, Gabriela Fernandes Vila jogava no time masculino do Pinheirinho/Oretril, de Ibiporã, e também sofreu o mesmo problema. Hoje, já com 13 anos a menina cresceu, o time ficou pequeno e ela foi seguir a vida entre as meninas da Unopar/FEL/Sercomtel.
Em 2004, um ortopedista a aconselhou a jogar entre garotos somente até os 13 anos e depois passar a treinar com meninas. No entanto, aos 12 ela já havia trocado de equipe. Gabriela passou a treinar nas escolinhas da equipe campeã brasileira.
Como se destacou, logo foi promovida pela técnica Jayne Borin para a equipe Sub-15. Um ano depois, ela já integra a equipe Sub-17, que disputará o Campeonato Paranaense. ''Ela vai nos acompanhar nas competições e pegar experiência de campeonato, de quadra. Ela tem uma técnica boa, mas taticamente ela vai se desenvolver somente agora'', avaliou a treinadora.
Gabriela conta que muita coisa mudou desde 2004. ''O preconceito diminuiu bastante, principalmente depois da Olimpíada de Atenas. Agora estou jogando com as meninas e é bem mais legal. Melhorou bastante para mim. A gente conversa bastante. Já entre os meninos eles ficam achando que eram 'os caras' perto da gente'', disse a garota, que vem se adaptando ao padrão de jogo das meninas mais velhas. ''No começo senti dificuldade pela diferença de idade. A Jayne viu as minhas limitações físicas e preparou um treino diferenciado para mim até que eu me adaptasse'', contou.
Apesar da pouca idade, Gabriela já traçou um projeto de vida que começa a perseguir agora, com a entrada na Unopar/FEL/Sercomtel. Ela quer traçar o caminho dos gramados e fixar a carreira no futebol de campo. ''Eu sempre gostei mais do campo. Até jogo melhor futebol de campo do que futsal, mas não temos onde treinar aqui. Assim, vou jogar salão até ficar mais velha e ver se consigo uma oportunidade'', revelou.
Gabriela está mesmo decidida a migrar para o futebol de campo no futuro e já até elegeu em quem se espelhar. ''Sou fã da Sissi (ex-meia da seleção brasileira)'', afirmou.
O grande sonho de Gabriela desde a época em que jogava entre os meninos é seguir os passos de Sissi, deixar o Brasil e brilhar em algum clube sueco ou americano, onde o futebol feminino é mais desenvolvido, com campeonatos fortes.
Gerson Vila, 38, o pai coruja que acompanha os treinos da filha frequentemente, já deu sinal verde. ''Se ela estiver realizada, contente com o que está fazendo, vamos apoiar com certeza'', afirmou.

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