O paranaense Emanuel e o paraibano Zé Marco, que na Olimpíada de Atlanta formavam uma das duplas do vôlei de praia brasileiro, voltarão a representar o Brasil na Olimpíada de Sydney, mas, desta vez, em quadras adversárias. A dupla se separou um ano após ter conquistado o nono lugar na Olimpíada, quando o paranaense aceitou uma proposta para treinar nos Estados Unidos e o paraibano resolveu ficar no Brasil.
Hoje Emanuel, que se classificou para a Olimpíada há um ano, após ter vencido seis etapas do circuito mundial, joga com Loiola. E Zé Marco, que conseguiu sua classificação no último final de semana, faz dupla com Ricardo. Mesmo com a derrota para Emanuel e Loiola na etapa do mundial realizada em Chicago, Zé Marco e Ricardo garantiram a tão sonhada vaga olímpica.
Em Atlanta, Emanuel e Zé Marco estrearam dando um show na Arena de Atlanta Beach. Eles marcaram 15 a 1 contra os franceses Penigaud e Jodard. Depois perderam para americanos e para portugueses, ficando fora das outras partidas. Agora, em times diferentes e com muito mais experiência, eles buscam as primeiras medalhas do vôlei de praia masculino. O feminino já tem duas, conquistadas por Jaqueline/Sandra e Adriana/Mônica na dobradinha brasileira em Atlanta. Elas foram ouro e prata, respectivamente.
Com a classificação das duas duplas masculinas, da feminina (Adriana Behar e Shelda) e das equipes de voleibol feminino e masculino, o Brasil é o único país com possibilidades reais de ganhar medalha de ouro em quatro categorias de uma mesma modalidade, já que aparece nas primeiras colocações do ranking mundial.
Além dos quatro medalhas de ouro, o Brasil pode ficar ainda com mais duas medalhas de prata no vôlei de praia. Para isso acontecer falta apenas a classificação de mais uma dupla feminina e o bom desempenho dos tupiniquins na terra dos cangurus. Em Sydney, serão 96 duplas – 48 masculinas e 48 femininas – em busca de um lugar no pódio. As disputas começam no dia 16 de setembro e vão até o dia 26.
Jeitinho brasileiro
Por falta de dinheiro, o Brasil quase deixou de participar também dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1932 – não participou em 1928. Mas o governo de Getúlio Vargas, com seu famoso jeitinho brasileiro, tentou resolver o problema. Determinou que os 69 atletas que embarcaram no navio Itaquecê, da Marinha Mercante, deveriam trabalhar no trajeto entre Santos e Paris. O compromisso era vender 50 mil sacas de café. O que fosse arrecadado seria usado para cobrir as despesas de viagem. O café, na época, respondia por 70% das exportações brasileiras. Mas a crise atrapalhou.
Como a venda foi abaixo do esperado, a equipe foi cortada. Dos 69 atletas, sobraram os 45 tecnicamente melhor preparados. Eles desembarcaram no Porto de São Pedro, a 19 quilômetros de Los Angeles, onde se encontraram com outros 13 que viajavam por conta própria. Os outros 24 tiveram de ficar no navio.
Inconformado em ter sido cortado, Adalberto Cardoso, inscrito nos 10.000 metros rasos, percorreu a distância entre o porto, onde o barco ficou aportado, e Los Angeles a pé, correndo e de carona para participar da competição. Depois de um dia, ele chegou ao Coliseum dez minutos antes da largada da prova. Só deu tempo de vestir o uniforme, calçar a sapatilha e alinhar-se para a largada ao lado dos outros 15 competidores. Como a história tornou-se pública, mesmo terminando em último lugar, ele foi aplaudido pelo público que entendeu o verdadeiro espírito do esporte: o importante é competir. Também foi neste ano que as mulheres brasileiras estrearam nos Jogos. A nadadora Maria Emma H. Lenk Zigler competiu em três categorias, sem conseguir classificação.
Canguru na cozinha
Os imigrantes, com as receitas de seu país de origem, revolucionaram os hábitos alimentares na Austrália, que hoje mescla ingredientes nacionais com temperos exóticos. Cada região tem sua especialidade. Em Paddignton, encontramos refeições mais rápidas; em Chinatown, comida chinesa; na Baía de Watson’s e Darling Harbour, peixes e frutos do mar.
Entre os pratos típicos aparecem o churrasco, servido na maioria dos pubs. A única diferença está no tipo de carnes utilizadas. As mais comuns são a de cordeiro, porco, canguru e crocodilo.
O canguru e o cordeiro também aparecem no Char-grilled kangaroo Fillet – alguns pedaços de filé mal passado de canguru acompanhado de folhas – e no Lamb Loin Fillet, espessas fatias de cordeiro acompanhadas de folhas de rúcula e ervilhas frescas inteiras.
Graças aos 3,5 mil imigrantes brasileiros na Austrália (números cedidos pelo governo australiano), também podemos encontrar a nossa culinária por lá. Algumas casas noturnas servem espeto corrido com carnes comuns no nosso cardápio. Nessas casas noturnas encontra-se ainda apresentações de shows no maior estilo brasileiro. E o carnaval também faz sucesso na terra da Olimpíada.
Curtas olímpicas
- Além dos 10.200 atletas de 199 países (mais do que os integrantes da ONU), a última Olimpíada do milênio vai reunir 5 mil oficiais, 12 mil jornalistas, 40 mil voluntários e 15 mil policiais. Ao todo, são mais de 120 mil pessoas envolvidas na realização dos Jogos.
- O transporte das delegações em Sydney será feito por 470 ônibus, 24 horas por dia.
- Trezentas medalhas de ouro fazem parte da premiação dos Jogos Olímpicos de Sydney. Dessas, 40% serão destinadas para as mulheres, que ainda são minoria.

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