O silêncio tomou conta da sede do Comitê Rio 2004 depois do anúncio da eliminação da cidade da disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2004. Os 50 funcionários que assistiram pela televisão à decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) não esconderam a decepção. ‘‘Não consigo falar nada’’, esquivou-se a assessora de marketing, Márcia Cintra, abraçada a uma amiga. ‘‘Agora é voltar à realidade’’, disse Manoel Augusto, funcionário da controladoria do Comitê Rio 2004. Augusto assistiu à decisão numa sala isolada no fundo da sede da entidade. Supersticioso, alegava que a estratégia de se isolar deu certo na final da Copa do Mundo de 1994. Na época, Augusto disse que assistiu à final na varanda de casa, sozinho, enquanto seus parentes torciam juntos na sala. Alguns funcionários lamentaram a perda do emprego. ‘‘Chorei muito pela desclassificação, mas também por saber que vou perder este trabalho’’, disse a copeira Guanaira Guacerena, que mora em Vilar dos Telles, na Baixada Fluminense. ‘‘Agora, o jeito é voltar a vender bala no trem.’’ Embora o clima de decepção tenha tomado conta do Rio, os patrocinadores do Comitê Rio 2004 iniciaram ontem, nas tvs e nos rádios, campanhas publicitárias agradecendo à população carioca pelo apoio.

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