Agora é se conformar e esperar até 2014
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sexta-feira, 02 de julho de 2010
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
A sala de treinamentos deu lugar a uma eufórica torcida. No projetor onde normalmente passa o histórico da empresa para novos funcionários, dois times disputam uma vaga na semifinal da Copa do Mundo 2010. De um lado, o Brasil que vinha com tudo até sucumbir perante a Holanda, que do outro lado frustrou dezenas de brasileiros que davam uma pausa no trabalho para empurrar a seleção canarinho rumo ao hexacampeonato.
Pensando em proporcionar um momento de confraternização e estimular o senso cívico, algumas empresas costumam suspender as atividades e liberam parte dos funcionários para acompanhar o jogo do Brasil na Copa do Mundo. Essa é a opinião de Hamilton Batista Júnior, gestor de recursos humanos da Café Iguaçu. Ele acredita que a medida se reflete de maneira positiva na produtividade.
''Como a empresa possui banco de horas, fica mais fácil compensar as ausências. Nas áreas que não podem parar existe uma programação com os gestores para que todos tenham a oportunidade de assistir mesmo que seja pouco'', contextualizou ele que estima que cerca de 400 pessoas estavam na empresa e pararam no horário do jogo, com excessão do setor de produção que montou uma escala de revezamento.
A reportagem da FOLHA acompanhou a partida entre a Brasil e Holanda na matriz da indústria, em Cornélio Procópio. Todos assistiram a dois jogos, um no primeiro e outro no segundo tempo. No intervalo, era nítida a satisfação. O gol de Robinho empolgou. No final, depois de sofrer uma virada por 2 a 1, muitos trafegavam pelos corredores sem esconder a decepção expressa no rosto, que dispensava palavras ou perguntas.
A corintiana Cristina Aparecida Barbieri, que trabalha no setor de envazamento, mudou da alegria para a tristeza num intervalo de 45 minutos. Ela, que acredita na existência de mulheres mais fanáticas por futebol que muitos homens, acha interessante poder parar e acompanhar o jogo.
''A gente faz um esforço para assistir, ainda mais numa empresa onde a produção não pode parar. Seria muito ruim não poder acompanhar. Quando você sabe como foi o jogo, normalmente a gente volta mais animada'', explicou. Porém, a alegria dos quatro primeiros jogos deste ano deu lugar à tristeza.
''Faltou mais garra. Parecia que não era jogo decisivo. Eles estavam tranquilos demais para quem estava perdendo. Parecia que a vantagem era do Brasil e não da Holanda'', alfinetou Cristiane. ''Agora é se conformar e esperar até 2014. Em casa é mais fácil'', completou.


