Agora não há mais jeito. A Seleção Brasileira, que o técnico Zagallo comanda há quatro anos sem ter conseguido armar um esquema tático, entra em campo, esta tarde, no Estádio da França, em Saint-Denis, na Grande Paris, para enfrentar a Escócia e o descrédito geral, na abertura da 16ª Copa do Mundo. O jogo é válido pelo Grupo A. Campeão em 94, o Brasil busca na França o pentacampeonato mundial. Em vários países a Seleção ainda é considerada uma das grandes favoritas para o título, mas ainda causa desconfiança entre os torcedores do Brasil.
Exatos 1.424 dias depois da conquista do quarto título mundial, no Estádio Rose Bowl, em Pasadena, na ensolarada Califórnia, a Seleção Brasileira, com sete remanescentes da campanha nos Estados Unidos, tenta em campos franceses mostrar que o potencial dos craques que a compõem pode ir além dos lances individuais, transformando-se no conjunto que, em dezenas de treinos e jogos depois, ainda não surgiu.
O encerramento dos preparativos para a estréia brasileira foi ontem à tarde, no moderno e bonito Estádio da França. Foi apenas uma pelada, em metade do campo, que serviu para que os jogadores conhecessem o gramado em que estarão hoje diante dos escoceses. O treino durou 50 minutos e representou o teste que aprovou a escalação do zagueiro Aldair.
O time do Brasil vai a campo para seu 74º jogo por uma Copa do Mundo. Única equipe a ter disputado todos os 15 Mundiais anteriores, defende também a condição de dona do maior número de títulos (quatro) e tenta consolidar a condição de única a ter sido campeã do lado oposto do Atlântico. Em 1958, o Brasil venceu a Copa da Suécia. Nenhum sul-americano voltou a levantar o título na Europa. E nenhum europeu conhece a glória de comemorar uma conquista nas Américas.
A única alteração na escalação, em relação à anunciada por Zagallo no dia da convocação (5 de maio), é Bebeto no lugar de Romário, que foi cortado, por motivo de contusão. Bebeto é um dos sete campeões do mundo de 94. Os outros são Taffarel, Cafu, Aldair, Dunga, Leonardo e Ronaldinho. Mais de cem jogadores foram testados até que o técnico optasse pelos 22 que vieram à França. E em nenhum momento a Seleção correspondeu à expectativa geral.
Contra a Escócia, de tradição limitada na história do futebol, o time tenta transportar para o campo a força que ninguém lhe nega no papel. Hoje, a bola rola para valer nos arredores de Paris, na abertura da 16ª Copa do Mundo, a última do século.

RUMO AO PENTA

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