'Agora é coração', diz Parreira
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terça-feira, 27 de junho de 2006
Marcos Penido e Marceu Vieira<br> Agência O Globo 
Dortmund - A cabeça do técnico Carlos Alberto Parreira já está concentrada no jogo das quartas-de-final, que considera o mais importante neste momento crítico da Copa: ''Agora é coração! A hora de botar o coração em campo e subirmos mais um degrau na competição.''
Parreira não deve mexer no time que começou o jogo contra Gana. Mesmo tendo humildade para reconhecer que a equipe errou no primeiro tempo, por ''confundir pressa com rapidez''.
''Pressa é quando você sai de maneira descoordenada para o ataque, e foi o que aconteceu no primeiro tempo contra Gana. Rapidez é quando você toca bem a bola e consegue aproveitar as chances criadas. Neste sentido, erramos muito no primeiro tempo, e talvez por isso tenhamos tido menos posse de bola do que a boa equipe de Gana. Mas, no segundo tempo, fomos melhores com um ritmo mais cadenciado'', disse.
O fato de reconhecer que a equipe da primeira fase não conseguiu se articular da maneira como queria não quer dizer que vá mexer no time. Pelo contrário. Parreira deixou claro que ganhou mais opções com a boa atuação de Ricardinho e a provável volta de Robinho, além das entradas de Gilberto Silva e Juninho. ''O Brasil tem jogado sempre com 14 jogadores. A evolução leva a isto. O que não posso é perder a cabeça, porque são muitas as opções boas'', afirmou o treinador.
Na análise de Parreira, embora o Brasil tenha ganhado de 3 a 0, o jogo não foi fácil como pode parecer: ''Eu disse, durante a semana, e repito. Gana é um bom time, que joga de maneira ordenada e é veloz. Eles deram muito trabalho ao nosso time, e foram difíceis de ser batidos. Quando conseguimos tocar a bola no chão, no segundo tempo, é que o jogo ficou realmente ao nosso estilo'', disse.
O técnico não quis falar sobre o próximo adversário: ''Temos de pensar na gente. Impor o nosso futebol. Conseguimos passar pelas oitavas-de-final, mas entramos no momento crítico, que é o das quartas-de-final. No início da competição, eu disse que oito equipes tinham condições de chegar, e todas estão nas quartas. Então, não tem adversário fácil ou jogo fácil'', afirmou.
A defesa, mais uma, vez foi o setor mais elogiado pelo treinador brasileiro: ''Se a defesa não estivesse bem, não teríamos vencido'', disse, para elogiar o goleiro Dida: ''Dida fez uma defesa milagrosa numa cabeçada de Mensah, e foi bem nos chutes de fora da área, porque os ganeses chutaram muito, mas de fora da área. Este é um mérito da nossa defesa.''
Em relação à atuação de Ronaldinho Gaúcho, Parreira deu um gás no meia, que, ontem, não mostrou o mesmo futebol de melhor jogador do mundo: ''Ronaldinho joga mesmo diferente no Barcelona. Até pelos companheiros que tem lá, e está correspondendo à expectativa. Mas, em se tratando de um extra-série, pode sempre subir um degrauzinho a mais. E deve subir nesta parte que falta da competição.''
O técnico foi franco quando lhe perguntaram sobre ''o jogo bonito do Brasil'': ''A história não registra jogo bonito. Fala dos vencedores. Nós já ganhamos cinco Copas e estamos em busca da sexta. Por que só cobram do Brasil este jogo bonito e dos outros, não? Na história, o que fica são os títulos. E, se eu puder repetir, quero chegar lá. Se for com jogo bonito, ótimo'', disse.


