Agilidade e bom humor são marcas de Patrik
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quarta-feira, 06 de abril de 2011
Daniel Batista 
São Paulo - Quem vê Patrik deitando e rolando em campo, fazendo gols, dando passes e esbanjando bom humor durante as entrevistas, mesmo em meio a tanta timidez, não sabe tudo que o menino passou até chegar ao Palmeiras e cair nas graças do exigente técnico Luiz Felipe Scolari. Como a maioria dos jogadores, ele é de família humilde e os pais nem sequer acompanhavam futebol.
Patrik foi criado no bairro de Burgo Paulista, na zona leste da capital, próximo de Ermelino Matarazzo. Lá, seu pai (Marcelo) trabalhava duro para manter vivo o sonho do filho, de ser jogador de futebol. Várias foram as vezes que o pai ou a mãe (Dalva) tinham de acordar cedo, por volta das 5 horas, para levar Patrik ao ponto de ônibus, para ir treinar no São Caetano. O pai trabalhava em uma gráfica e a mãe era dona de casa. ''Ela que cuidava das minhas bagunças'', lembrou o meia, de 21 anos.
Várias vezes os pais não tinham os R$ 10 que ele gastava de condução para ir treinar. Tinha de pedir à tia ou amigos. ''Meus pais faziam qualquer esforço para eu conseguir ir treinar'', lembrou Patrik. Por tudo isso, o meia quase desistiu do futebol. ''Era muito difícil e até uns 17 anos eu via o futebol como uma diversão. Só depois eu percebi que essa poderia ser a minha profissão. Mas fiquei preocupado porque tinha que sair logo do São Caetano para a carreira embalar'', explicou.
Hoje a realidade é outra. Ele mora com a irmã, na zona oeste, e pensa grande. Até julho, vai comprar um apartamento para morar sozinho e quer dar uma casa para os pais. Eles ainda moram em Burgo Paulista. Boa parte do salário de Patrik vai para a mão deles. ''Eu pago as minhas contas, dou uma boa parte para o meu pai e o resto eu guardo em um banco para investir mais para frente'', disse o garoto, entusiasmado com a mudança que sua carreira tomou neste ano.
Humor o dia inteiro
Com sorriso fácil, Patrik vê as novidades tudo com muito bom humor. As marias-chuteiras, por exemplo, não têm vez com ele. ''Já tomei várias enquadradas da minha namorada, a Janaína. Ela fala que as meninas irritam ela'', contou o garoto, se divertindo com o ciúme da amada, que conheceu em 2008, ainda no São Caetano.
E o garoto também tem estilo. Ele depila parte da sobrancelha, simulando uma cicatriz. ''É estilo'', explicou o meia, que brinca com os amigos, mas de vez em quando vira vítima. ''O Kléber é o mais traíra de todos. Eu estou tomando banho com água quente, ele vem e joga o balde de gelo nas minhas costas. É folgado, o grandão''.
Mas o ''folgado'' Kléber vira segurança de Patrik dentro de campo. Quando um adversário começa a provocá-lo, ele responde: ''Vai lá xingar o Klebão, eu sou pequeno, aí é fácil. Quero ver se você é macho mesmo''. Quando faz gol, Patrik ''paga'' por todas as travessuras. ''Os caras me dão muito tapa na cabeça. Nem quero mais fazer gol''.


