Agentes 'garimpam' novos craques
Marcos Freitas
De Londrina
Eles são responsáveis por grande parte das transações de jogadores no mundo do futebol. Os agentes e procuradores trabalham no garimpo de informações sobre atletas de todo o mundo e ainda contratam jogadores. As duas funções são distintas: os agentes são representantes de clubes do mercado importador, intermediando negociações e municiando os clubes com informação. Os procuradores já detém o passe dos jogadores e cuidam também da imagem do atleta.
O portoalegrense Cristiano Dorneles Miller, 29 anos, e o italiano Alessandro Canovi, 32 anos, são agentes de jogadores e os responsáveis pela vinda de representantes dos maiores clubes europeus a Londrina. Eles se juntaram para o trabalho há pouco mais de quatro meses, formando no Brasil e na Itália escritórios que representam clubes de várias partes do mundo.
Mas a história deles no futebol começou, na verdade, com a amizade de seus pais, que já dura pelo menos 20 anos: Cristiano é filho do advogado Cristóvão Colombo, o responsável pela transferência de Falcão para a Roma no início da década de 80. Ele é o atual representante da Roma para a América Latina. O pai de Alessandro é Dario Canovi, conhecido empresário europeu que já teve os passes de grandes jogadores brasileiro, como Casagrande, Cerezzo e João Paulo.
A amizade e o conhecimento dos pais no mundo dos negócios da bola, aliado à grande perspectiva de ganhos futuros com a intermediação na compra e venda de jogadores, fez com que os filhos se unissem e montassem escritórios no Brasil e na Europa. Assim, poderemos saber com exatidão qual o tipo de jogadores que o mercado importador quer contratar aqui na América Latina, conta Cristiano.
Ele explica que o trabalho é altamente profissional. Em seus escritórios eles têm uma mapa mundi que mostra exatamente que tipo de jogador cada clube precisa. Por aqui o trabalho é de caça. Com informantes em todos os grandes centros da América Latina eles recolhem todo o tipo de informações sobre os jogadores que se adequam às necessidades dos clubes da Europa.
São fitas com vários jogos seguidos (para conferir a regularidade do atleta), scouts contendo um verdadeiro raio X sobre os atletas dados que vão desde altura e peso, passando por característcas e hábitos pessoais.
Cristiano Miller conta que as informações são muito precisas e que esta é a alama do negócio. Vendemos o que há de real, não enganamos ninguém e por isso há confiabilidade no negócio, conta. Segundo Alessandro Canovi, eles
recebem diretamente dos clubes na hora da transação e a comissão é convencionada em 10% do valor do passe. Geralmente o contrato é feito verbalemente e, por isso, há confiabilidade entre eles. O assunto na Europa é tratado com muito profissionalismo e não é à toa que estão na cidade os maiores representandtes do mercado importador, disse.
Eles contam que seu trabalho não se resume a trazer os empresários para a cidade. Como estão acontecendo vários torneios regionais pelo País, o fretamento de táxis aéreos para enviar os empresários para locais onde estejam ocorrendo estes jogos é uma constante. Além de Londrina e Cascavel, sedes do Pré-Olímpico, já levamos os representantes para outras cidades onde possam render grandes negócios, explica Alessandro Canovi.
Eles contam que o perfil dos jogadores procurados é de jovenes entre 18 e 24 anos e que ainda estejam desconhecidos no cenário nacional de preferência com o valor do passe bem barato. Na maioria das vezes são atacantes, até porque o mundo vive uma crise de zagueiros, destaca Miller.
Segundo eles o Brasil é ainda o maior mercado para se fazer bons negócios com o futebol. Eles reclamam, porém, da falta de organização dos dirigentes do futebol no Brasil: Se o calendário fosse unificado com o da Europa e houvesse mais seriedade no trato das coisas da bola, o futebol no Brasil seria mais rentável que a NBA a Liga Americana de basquete profissional dos Estados Unidos, avalia Miller.
Para Canovi, o fato do grupos estrangeiros estrarem investindo em parcerias com os clubes brasileros vai fazer com que o mercado nacional, em pouco tempo, se abasteça de grandes craques sem precisar vender para clubes de fora. Os salários pagos para alguns jogadores no Brasil já são compatíveis com os pagos na Europa, conta.
Eles torcem para que o futebol no Brasil cresça em qualidade e também no aspecto financeiro. E o motivo é óbvio. O Brasil é um reconhecido celeiro de jogadores, mesmo tratando o esporte com pouca seriedade. Sobra material humano e falta organização. Com uma administração mais eficaz, um calendário coerente, os clubes passam a fazer girar mais dinheiro, investindo em novos talentos que, lapidados, vão render lucros ainda maiores. Para dar um empurrãozinho nesse processo de crescimento, os empresários dizem aceitam até ganhar um percentual menor nas transações. Só o fato de haver um crescimento interno o país também ganha com isso, afinal não podemos desprezar que somos um mercado de 160 milhões de consumidores. Sendo que a maioria destes consumidores gosta e muito do futebol, explica Miller.





