Agência teme manipulação genética
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quarta-feira, 02 de janeiro de 2002
Agência Folha 
São Paulo Preocupada com a crescente ameaça do doping genético, a Wada (Agência Mundial Antidoping) convocou um encontro, entre 17 e 20 de março, em Nova York (EUA), para discutir o tema.
A entidade admite estar no escuro em relação ao problema. Após os esteróides anabólicos nos anos 80 e a EPO na década de 90, especialistas apontam a chance de a manipulação genética ser usada para tornar os atletas mais ágeis, fortes ou velozes.
A manipulação genética será um fator nos próximos anos, portanto, temos de antecipar tópicos. Essa não é uma questão limitada ao esporte, mas tem aplicações particulares esportivas, analisa Dick Pound, presidente da Wada.
A reunião de março, que contará com alguns dos maiores geneticistas do planeta, estava inicialmente prevista para 14 de setembro. Mas os atentados terroristas nos EUA obrigaram o adiamento do encontro.
Queremos produzir algum tipo de legislação sobre o assunto, disse Pound. Em 2001, a Wada destinou US$ 500 mil de seu orçamento para estudos que visem detectar manipulações genéticas em atletas.
Segundo Eduardo de Rose, membro da Comissão Médica da Wada, o estudo se dará em três etapas. No primeiro momento, a preocupação será com a manipulação de hormônios, que podem aumentar o rendimento de atletas.
Em uma segunda etapa, haverá a chance de alterar a estrutura muscular do atleta. Será possível aumentar o número de fibras rápidas do atleta, no caso de velocistas, ou de fibras lentas, para os maratonistas.
Por fim, Eduardo de Rose acredita que será possível desenvolver um atleta clonado. Um país poderia fazer onze Pelés. Ele é o único brasileiro no encontro da Wada.


