O careca Andre Agassi mantém um brilho que nem as novas estrelas do tênis conseguem ofuscar. Seu carisma é o mesmo dos tempos em que ostentava uma longa cabeleira. Ao chegar as semifinais do Aberto da Austrália, depois de uma vitória convincente sobre o compatriota Todd Martin – que eliminou Pete Sampras – por 7/5, 6/3 e 6/4, Agassi atraiu uma multidão para a sua entrevista coletiva. Aos 30 anos, revela um estilo intrigante, sempre tem o que falar e não dá voltas.
‘‘Entrar na quadra e ganhar é o meu negócio’’, diz. ‘‘Por isso, não vou para uma partida apenas para disputar um jogo: só entro para ganhar’’. Com esta determinação e um incrível talento, Agassi chega nas semifinais do Aberto da Austrália pelo caminho mais curto. Nos cinco jogos disputados até agora, só perdeu um set e ainda assim no tiebreaker. Não resta dúvida que está em grande forma para defender o título conquistado no ano passado e levar o bicampeonato.
O seu próximo obstáculo promete ser o mais difícil até agora na competição. Vai enfrentar o australiano Patrick Rafter, que teve uma emocionante vitória sobre o eslovaco Domink Hrbaty por 3 sets a 1, com parciais de 6/2, 6/7 (7x4), 7/5 e 6/0.
Rafter fez um jogo de alto nível diante de Hrbaty. Soube como fechar a rede com seus eficientes voleios, saiu de desvantagem de 1 a 4 no terceiro set, e colocou o coração na raquete. É que além de seu incrível talento, Patrick Michael Rafter está movido pela emoção. Este pode ser o último Aberto da Austrália de sua carreira e até mesmo sua mãe, Jocelyn, que nunca aparece, foi as arquibancadas da Rod Laver Arena para torcer pelo mais querido jogador australiano do momento.
‘‘Vivi um dos momentos mais emocionantes da minha carreira nesta partida’’, confessou Rafter. ‘‘A torcida me empurrou para um resultado triunfante. Senti que jogar em casa é uma vantagem muito grande.’’ Apesar de todo apoio da torcida e da motivação especial de estar lutando pelo título do Aberto da Austrália, antes da anunciada aposentadoria, Rafter sabe que para superar Andre Agassi vai precisar, antes de tudo, jogar bem, talvez até mesmo se superar.
‘‘Já nos enfrentamos por 15 vezes e não há segredos entre nós’’, contou Rafter. ‘‘Sei que para ganhar vou ter de sacar muito bem e fazer uma das melhores partidas da minha vida. Mas não quero decepcionar esta torcida que demonstrou tanto carinho.’’
– O tenista Flávio Saretta viaja hoje para Bogotá, na Colômbia, onde na sexta-feira disputará o qualifying do VII Cerveza Club Colombia Open de Tenis, que distribuirá 400 mil dólares em prêmios. Saretta conquistou na primeira semana do ano seu maior título na carreira, o challenger Aberto de São Paulo, vencendo o argentino Guillermo Coria na final. Atualmente ele ocupa a 257ª posição no ranking mundial.

mockup