A queniana Leah Jerotich é uma das africanas treinadas no Norte Pioneiro e espera surpreender após ter vencido a Volta da Pampulha em BH
A queniana Leah Jerotich é uma das africanas treinadas no Norte Pioneiro e espera surpreender após ter vencido a Volta da Pampulha em BH | Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo



Entre os milhares de participantes da 93ª edição da Corrida de São Silvestre, que será realizada neste domingo (31), em São Paulo, cinco atletas que treinam em Nova Santa Bárbara, no Norte do Paraná, prometem brigar pelas primeiras posições de uma das mais tradicionais provas pedestres do mundo. São três quenianos, um etíope e um ugandês que estão entre os favoritos.
Os africanos são treinados por Moacir Marconi, o Coquinho, que há muitos anos comanda um trabalho de revelação e com atletas de alta performance no município localizado a 60 quilômetros de Londrina. O grande destaque da equipe é o queniano Edwin Kipsang, bicampeão da São Silvestre em 2012 e 2013. "Ele não deixa de ser um dos grandes favoritos. Trabalhou exclusivamente para a prova", afirmou Coquinho.
Quem desponta também para brigar pelos primeiros lugares é a queniana Leah Jerotich, vencedora da Volta da Pampulha deste ano, em Belo Horizonte. A equipe de Nova Santa Bárbara é formada ainda por Pakalia Chepkorir (Quênia), Maxwell Kortek Rotich (Uganda) e Haymanot Alew Engdayehu (Etiópia). "Todos são muito competitivos e com chances de subir no pódio. Há alguns anos não tínhamos este grau de competitividade na equipe, em quantidade e qualidade", ressaltou o treinador.

FAVORITISMO
Todo ano o discurso é parecido: os brasileiros chegam confiantes para mais uma Corrida Internacional de São Silvestre, os estrangeiros pregam respeito e elogiam os rivais e no final a vitória é quase sempre dos atletas africanos. Desta vez, dois corredores experientes esperam quebrar a hegemonia de etíopes e quenianos na prova paulistana.

O Brasil vai para esse duelo particular contra os africanos apostando principalmente em Giovani dos Santos, quarto colocado no ano passado na São Silvestre. "Já ganhei quase todas as provas de rua no Brasil, mas falta a São Silvestre. Vou até onde minhas pernas aguentarem e darei o máximo", afirmou Giovani. "Se no final um brasileiro ganhar, vou ficar feliz do mesmo jeito", confessou.

Assim como os atletas estrangeiros, ele deve fazer uma dobradinha na estratégia com Franck Caldeira, que ganhou a São Silvestre em 2006. "Eu tenho um grande amigo, e adversário, que é o Giovani, que é o brasileiro mais bem cotado para vencer a prova. Vamos fazer juntos uma parceria para fazer com que um bom resultado, seja o dele ou o meu, deixe o público feliz e um legado de um resultado positivo para o Brasil".

Eles terão rivais à altura como os quenianos Paul Lonyangata, campeão da Maratona de Paris neste ano, e Stanley Biwott, campeão da São Silvestre e da Maratona de Nova York em 2015. "No ano passado errei um pouco na estratégia e aí faltou perna na subida da Brigadeiro", contou Giovani dos Santos.

O experiente Stanley Biwott não fala em favoritismo e elogiou os seus adversários. "Os brasileiros são muito fortes, aqui existem muitos atletas de alto nível e isso me dá uma motivação para tentar vencer novamente", disse o corredor de 31 anos, que terá de se adaptar para a distância mais curta de 15 quilômetros. "É uma prova rápida".

Para a edição deste ano, a São Silvestre contou com ajustes no percurso para aumentar a área de dispersão. A largada da elite feminina está marcada para as 8h40 de domingo e da elite masculina para 9 horas. O evento conta com 30 mil corredores inscritos e a previsão é de liberação da avenida Paulista às 14 horas.

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