São Paulo, 29 (AE) - A penúltima Corrida Internacional de São Silvestre do milênio será um capítulo especial do duelo entre o queniano Paul Tergat, tricampeão da prova e recordista mundial da meia maratona, e o sul-africano Hendrick Ramaala, terceiro colocado na São Silvestre 97. Nos últimos anos, os dois vêm travando verdadeiras batalhas na luta pelos primeiros lugares. Enquanto Tergat coleciona vitórias, o sul-africano, "freguês" de Tergat, tem apenas uma lembrança de triunfo sobre o rival.
Nos últimos dois anos, os dois encontraram-se cerca de sete vezes e, em nenhuma das oportunidades, Ramaala conseguiu superar Tergat. No entanto, o corredor lembra-se muito bem da última vez que alcançou o feito. "A última vez que bati o Tergat foi em outubro de 1997 na prova Belgrado, Correndo pela História", afirma. "O Tergat não conseguiu fazer as esquinas e pude vencê-lo nos últimos duzentos metros", diz o sul-africano.
O corredor da áfrica do Sul, que em muitas vezes é lembrado como freguês do queniano e também número 2 do mundo, acredita na possibilidade de vitória sobre o rival, apesar de considerar Tergat um dos grandes favoritos à conquista de mais um título da São Silvestre. "Acho que é perfeitamente possível vencer o Paul Tergat; em 1997 o brasileiro Emerson Isen Bem conseguiu", lembra. "Apesar de toda a rivalidade com ele, tenho uma relação amigável com os corredores quenianos, inclusive o Paul Tergat", diz. "Costumo trocar algumas palavras e também água, doces e salgados após as provas."
Apesar de não se encontrar com 100% de suas condições físicas, Ramaala, que espera fazer a São Silvestre em um dia quente e úmido com ritmo mais lento, como em 1998, chegou ao Brasil otimista. "Sei que não será fácil vencer a corrida, mas, desde o início da prova, vou tentar acompanhar os líderes do primeiro pelotão", afirma. "Não existe segredo para vencer o Paul Tergat, vou correr próximo a ele e, no final, tentar vencê-lo; a única coisa que procura fazer antes das corridas é treinar bastante, me concentrar e certificar-me de que ingeri a quantidade certa de líquido e me alimentei bem", explica. "A corrida de São Silvestre começa a 3 ou 4 quilômetros do fim; é uma corrida marcada por um ritmo muito forte, que se torna ainda mais forte com a presença do queniano."
Depois da São Silvestre, Ramaala vai voltar-se para seus treinos visando à maratona e a prova de 10 mil metros da Olimpíada de Sydney. "Vou procurar fazer tempo de classificação até março; nos 10 mil metros estou praticando, mas não tenho vencido e na maratona tudo é novidade para mim", completa. Ramaala classificou-se para a prova de 10 mil metros da Olimpíada de Atlanta, em 1996, mas não conseguiu passar às fases finais.

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