Curitiba - Estudo sobre a situação dos principais aeroportos do País, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, revela uma situação preocupante. Dos 12 aeroportos com obras em terminais de passageiros para receber a Copa do Mundo 2014, nove não terão condições de finalizar seus emprendimentos em tempo de receber o evento.
O Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, está em uma situação limite. Segundo a nota, ele só estará apto para atender a demanda do campeonato se não houver nenhum atraso no cronograma previsto. As obras estão em fase de licitação, o que, segundo o Ipea, deve demandar algo em torno de 42 meses, ou três anos e meio. Assim, para dar conta do prazo e entregar o terminal em junho de 2014, mês de início da competição, as obras deveriam ter começado em janeiro deste ano, o que não aconteceu.
De acordo com o site da Infraero, os projetos de ampliação do pátio e da pista de táxi, apresentados pelas construtoras que disputam o serviço, ainda estão sendo analisados, assim como as planilhas dos projetos de ampliação do terminal de passageiros. O secretário Especial para Assuntos da Copa, Mario Celso Cunha, considerou a situação ''preocupante''. ''Nossa maior preocupação é o aeroporto, porque é a maior porta de entrada de turistas. Vamos ter um número de fretamentos de voos muito grande. Acredito que ele vai atender a demanda, mas com deficiência'', afimrou, ressaltando que a maior necessidade do aeroporto é a construção da terceira pista, o que não está previsto entre as obras para a Copa.
O estudo do Ipea foi feito com base em dados e informações fornecidos pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e leva em conta os prazos médios para cumprimento das várias etapas dos projetos de infraestrutura, como a elaboração de projetos, obtenção de licenças ambientais, realização de licitações públicas e, finalmente, a obra.
Dos 13 aeroportos, sete - Manaus (AM), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Guarulhos (SP), Salvador (BA), Campinas (SP) e Cuiabá (MT), por estarem em etapa de elaboração de projeto, - levarão sete anos e meio para concluir as ampliações em seus terminais de passageiros, o que significa que não devem estar prontos antes de 2017. Outros dois, Confins (MG) e Porto Alegre (RS), que já têm projeto pronto, devem levar seis anos e meio.
O único aeroporto com cronograma de obras adequado é o Galeão (RJ), onde o serviço já começou. O novo aeroporto de Natal (RN) também não terá condições de ficar pronto antes da Copa. Já no aeroporto de Recife (PE), as obras serão apenas de construção de um torre de controle. ''Para nós, há tempo hábil para que os investimentos necessários em pistas, pátios e nos terminais provisórios sejam feitos até 2014. Nossa preocupação maior é com os investimentos mais complexos, ou seja, nos terminais (permanentes) de passageiros'', afirma o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Carlos Campos, um dos responsáveis pelo estudo.

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