Advogados de Pelé vão vasculhar contas da CBF
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Silvio Barsetti 
Rio, 4 (AE) - Os advogados de Pelé, Franco Oliveira e Salles Nobre, querem vasculhar no Banco Central as contas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para apontar à Justiça onde a entidade guarda seu dinheiro. Eles vão tentar penhorar judicialmente as rendas dos jogos do Brasil pelas eliminatórias para o Mundial de 2002 a fim de garantir pagamento de indenização, em torno de R$ 1 milhão, a que tem direito Pelé por causa da exploração de sua imagem no álbum Heróis do Tri, lançado em 1988 pela CBF e Editora Abril.
A sentença a favor de Pelé foi dada em novembro de 1998 pelo juiz da 6.ª Vara Cível do Rio, Otávio Rodrigues. A CBF e a editora recorreram, mas a 4.ª Câmara Cível do Rio manteve no ano passado a decisão por dois votos a um. Como não houve unanimidade na câmara, os réus entraram com recurso no Tribunal de Justiça. "A penhora seria uma execução provisória; o dinheiro ficaria separado até o fim da batalha na Justiça", explicou Salles Nobre.
A CBF informou que só o vice-presidente jurídico da entidade, Carlos Eugênio Lopes, poderia falar sobre o assunto. Lopes estava hoje viajando e não foi encontrado pelo Estado.
Dois grupos de jogadores já conseguiram receber indenização por causa de figurinhas publicadas no álbum. O primeiro, do qual faziam parte Carlos Alberto Torres, Brito, Jairzinho, Dida - ex-Flamengo -, Garrincha e Paulo César Lima, conseguiram um total de aproximadamente R$ 600 mil, no final de 1996. A quantia maior coube aos herdeiros de Garrincha (R$ 215 mil).
Outro grupo, de 13 ex-atletas, também ganhou na Justiça o direito à indenização, em abril do ano passado. Para efetuar o pagamento de R$ 650 mil, a CBF e a editora parcelaram a dívida em cinco prestações.
Entre os 13 contemplados em 1999 estavam Gerson, Rivelino, Djalma Santos, Vavá, Nilton Santos e Bellini. "Os mais conhecidos tiveram direito a quantia equivalente a R$ 45 mil; o restante desse grupo obteve a metade", disse Nobre. "Embora o álbum tenha sido lançado na administração de Otávio Pinto Guimarães, a atual diretoria da CBF não pode esquivar-se de pagar o que deve", prosseguiu.
Os ex-jogadores Didi, Tostão, Félix e Piazza também brigam na Justiça por uma indenização. A ação dos quatro está tramitando na Justiça do Rio, em segunda instância. Outro grupo, de ex-integrantes da comissão técnica da seleção, entre os quais Admildo Chirol, seguem o mesmo caminho e reivindicam indenização. Como Chirol morreu ano passado, seus filhos passaram a responder por ele na ação.
No final de 1999 foi a vez de Leão, Mazzola, Zequinha, Jair da Costa e Moacir ingressarem na Justiça apenas contra a CBF pelo mesmo motivo.
Eles terão uma audiência de conciliação em 15 de junho e exigem US$ 12 mil cada um, além de juros e correção monetária. "Tentamos negociar com paz, mas a CBF quer guerra e vai ter", concluiu Nobre.


