Curitiba - O advogado da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Vinícius Gasparini, admitiu ontem que a diretoria usou contas bancárias de outras empresas para poder movimentar valores que eram recebidos através da arrecadação de taxas e da participação na arrecadação dos jogos realizados com equipes paranaenses. Mas negou desvio de dinheiro. Segundo Gasparini, a FPF teria se obrigado a usar contas de outras empresas como a Cocep e o Colégio Técnico para movimentar dinheiro - já que todas as contas bancárias da Federação estavam bloqueadas judicialmente por conta de dívidas trabalhistas, previdenciárias, de taxas municipais e para outros credores.
Hoje, a dívida da FPF inviabiliza a instituição. São devidos R$ 20 milhões para previdência social, R$ 6 milhões em débitos fiscais municipais (IPTU e outras taxas), R$ 7 milhões para o Atlético Paranaense, R$ 400 mil para outros credores, além das dívidas trabalhistas que estão sendo zeradas com as penhoras de bens. ''O que existe agora é uma discussão jurídica. A Federação Paranaense de Futebol estava com as contas todas bloqueadas. A alternativa foi usar a Comfiar, que estava prevista em estatuto. Depois criamos também a FPFTV e com o aval de todos os clubes filiados. O colégio também foi usado para que a Federação pudesse movimentar dinheiro. Uma forma de evitar a penhora'', disse o advogado, em entrevista exclusiva à FOLHA.
Gasparini ainda não sabe como a FPF vai agir com relação à defesa processual. Até porque, ainda estão sendo realizadas as diligências para conclusão do inquérito. ''Por enquanto, tudo leva a crer que houve um estado de necessidade por parte da Federação. Mas nenhum recurso foi usado em proveito próprio'', disse ele. A Cocep também teria sido usada apesar de desativada, mas manter a contabilidade em dia até 2005, para depósitos de taxas do Paraná Clube na cidade de Maringá - segundo declaração do próprio advogado. ''Nessa época não existia a Comfiar. Foi usada a conta para esta finalidade. Não para desvio'', ponderou.
Com relação a taxa de 1% para a associação dos atletas, Gasparini disse que era entendimento de Moura de que o repasse era ilegal pela natureza tributária. Desde maio, quando o STJD mandou que os valores fossem recolhidos, nenhuma taxa teria sido retida. ''Estamos até fazendo uma composição dos valores passados por causa de uma ação da associação na Justiça'', salientou. Desde 2004, a FPF tem penhoras sendo realizadas inclusive diretamente na arrecadação.(L.P.)

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