A missão dos marroquinos, hoje, pode ser considerada quase impossível. ‘‘Vencer o Brasil é como subir o Himalaia’’, compara o técnico francês, Henri Michel, sorrindo. Para não parecer pessimista, o experiente Michel mostra bom humor quando perguntado sobre as chances de sua equipe diante dos tetracampeões.
Depois de uma estréia surpreendente - um empate por dois gols contra a temida Noruega - Marrocos, ao contrário do que se podia se imaginar, volta a campo sem muita euforia. Entre muitos elogios à Seleção Brasileira, os africanos admitem que ficariam mais do que contentes se não perderem o jogo. ‘‘Um empate seria bom porque decidiríamos a vaga na último jogo, contra a Escócia’’, prevê o zagueiro Nourredine Naybet, do espanhol Deportivo La Coru¤a.
Henri Michel também adoraria um empate contra o adversário quatro vezes campeão do mundo. A vitória contra os brasileiros, para ele, não é vista como uma coisa simples, corriqueira. ‘‘Seria um evento fabuloso para os marroquinos, para entrar na história do futebol’’, comenta.
A mesma história registra duas vitórias de Henri Michel contra os brasileiros - na Olimpíada de Los Angeles, em 1984 - e na Copa do Mundo do México, em 1986, ambas como treinador da seleção francesa. Para Michel, porém, não existe nenhuma receita especial para vencer os brasileiros no confronto de hoje.
Os marroquinos vão entrar com força máxima. Embora não confirme os titulares, a tendência de Michel é manter a equipe da estréia. ‘‘Não devo fazer nenhuma alteração.’’ Até o goleiro Benzekri, que estava ameaçado, deve ficar no time. O meia Hadji, do La Coru¤a, que ontem recebeu elogios do técnico Zagallo, ficou feliz, mas não acredita ser o único bom jogador do time. ‘‘Temos outros jogadores igualmente técnicos e velozes’’, conta.
Hadji retribui os elogios. ‘‘O Brasil é um time completo, forte na defesa, meio-de-campo e ataque’’, afirma. O atleta, de 26 anos, vai atuar, embora esteja com um dedo do pé esquerdo quebrado. Vale tudo quando se trata de uma Copa do Mundo.
Hadji já traçou seus planos para o fim do jogo. Quer trocar de camisa com Ronaldinho. A camisa 9 do Brasil já teria um dono garantido - o filho de Hadji, fã do craque brasileiro. Naybet também vai para o sacrifício. Ele ainda se recupera de uma contusão no tornozelo.
Outro que agradou ao técnico Zagallo é o volante Tahar, responsável por lançamentos precisos para os atacantes. Perguntado sobre o comentário de Zagallo, o jogador do Benfica, de Portugal, fica um pouco sem saber o que falar. Talvez não esperasse ouvir isso. Aos 29 anos, Tahar é um dos poucos que esboçam um pouco mais de otimismo. ‘‘Sabemos que o Brasil tem uma equipe forte, é o favorito, mas não temos medo de ninguém’’, avisa Tahara.
Enquanto isso, o marroquino que segurou Ronaldinho no Campeonato Italiano vai ficar no banco de reservas. Rachid Neqrouz, de 26 anos, zagueiro do Bari, da Itália, não deve ser o titular contra o Brasil, mas sabe como marcar o craque brasileiro.
Na última temporada, o Bari venceu a Inter por duas vezes - fez 2 a 1 em casa e ganhou por 1 a 0, em Milão. ‘‘É preciso segui-lo o tempo todo e não dar tréguas’’, sugere. ‘‘O Ronaldo não pode ter espaço. Deixá-lo jogar é um suicídio.’’Agência EstadoO craqueHadji (dir.), destaque do time marroquino, vai atuar com um dedo do pé quebrado e quer a camisa de RonaldinhoAgência Estado

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