Adriano cumpre promessa de marcar
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domingo, 18 de junho de 2006
Marceu Vieira<br> Agência O Globo 
Munique - Adriano saiu todo prosa da vitória de ontem sobre a Austrália. O atacante reconheceu que o time ainda não foi tão bem, mas ficou feliz, em particular, por ter marcado seu primeiro gol em Copa do Mundo e cumprido a promessa de homenagear o filho, Adriano Jr., que nasceu na sexta-feira, no Rio. Político, fez questão de elogiar Ronaldo, substituído no segundo tempo por Robinho, com quem se sente melhor no ataque, e até Fred, que entrou em seu lugar e marcou o segundo gol.
O passe de Ronaldo foi tudo. A alegria de marcar aquele gol foi enorme, disse o camisa 7, que imitou o gesto de Bebeto, em 1994, na Copa dos EUA, e comomorou como quem embala um bebê ao lado dos companheiros. Foi o gol que abriu caminho para a classificação do Brasil e o meu primeiro numa Copa. O primeiro a gente nunca esquece. Ainda por cima, consegui cumprir a promessa de homenagear meu filho. Mas, acima disso, o melhor é que o time, aos poucos, está se acertando.
Na verdade, Adriano andava triste estes dias. Na reta final da gravidez, seu namoro com a brasileira Danielle, que levara para Milão, onde passaram a viver juntos, não resistiu a uma crise. A namorada foi embora para o Brasil pouco antes da apresentação da seleção. Por isso, o jogador parecia fechado desde antes do início da Copa.
Em conversas com seu procurador, o ex-goleiro Gilmar Rinaldi, Adriano confessou que se sentia um pouco deprimido. Até que, nestes últimos dias, as boas notícias lhe devolveram o sorriso. Além do nascimento do filho, a Inter de Milão anunciou a saída do argentino Veron, seu desafeto, e renovou seu contrato por mais quatro anos. A multa rescisória foi fixada em 200 milhões de euros (cerca de R$ 600 milhões). É quanto outro clube teria de pagar para tirá-lo de lá.
A renovação fez bem à sua auto-estima. Adriano se adaptou bem à vida em Milão. Sente-se realizado na Inter. Adora o título de Imperador, dado pelos torcedores. Mas as rusgas com o meia argentino, que nem convocado foi pela seleção de seu país, incomodavam o atacante brasileiro no auge da fama, aos 23 anos. Quando se juntou à seleção, na pré-temporada em Weggis, na Suíça, e depois, em Knigstein, já na Alemanha, carregava estas incertezas. A crise no casamento foi só a gota dágua.
A falta de eficiência do ataque no esquema armado por Parreira era só a ponta do iceberg. A amigos com quem falou depois do fraco desempenho dele e de Ronaldo contra a Austrália, Adriano elogiou o parceiro de ataque, mas disse que o entrosamento dos dois é pequeno porque, embora não pareça, jogaram poucas vezes juntos. Na Copa das Confederações, por exemplo, ano passado, seu companheiro era Robinho. Mas, ontem, ao deixar o vestiário feliz com o gol e a vitória, só sabia sorrir e falar com esperança nas possibilidades da seleção:
O primeiro jogo é sempre mais difícil. Graças a Deus, o time foi melhor hoje (ontem). Espero que a gente melhore ainda mais para o próximo, contra o Japão, e se classifique em primeiro. Se possível, com outro gol meu, afirmou,
O melhor O meio-campista Zé Roberto, titular da seleção brasileira, sentiu-se em casa ontem no estádio de Munique, onde se acostumou a jogar pelo Bayern de Munique. Em boa atuação, o meia comentou após o jogo o fato de ter sido eleito pela Fifa o melhor jogador em campo na vitória por 2 a 0 sobre a Austrália. É mais um dia feliz na minha carreira. Esta Copa do Mundo está exigindo muito fisicamente e eu estou me sentindo muito bem. Por isso tenho ajudado a seleção brasileira a conseguir bons resultados, disse Zé Roberto.


