Rio - O discurso é o mesmo de tantas outras vezes. A cada deslize, a cada confusão, a cada recomeço, lá está Adriano a prometer um novo rumo em sua vida pessoal e em sua carreira. Foi assim novamente ontem, ao falar pela primeira vez desde assinar contrato para ser o camisa 10 do Flamengo. Um penitente Adriano admitindo equívocos cometidos e dizendo-se determinado a empreender uma reviravolta que o levará mais uma vez ao topo. ''Tenho que ter comprometimento. Não posso errar mais. Essa é minha última chance. Se não der certo, vou ter que me afastar (do futebol)'', afirmou o atacante de 30 anos.
Com o rosto rechonchudo e o sorriso característico que lhe cerra os olhos, o polêmico atacante vestiu a camisa com a qual diz se sentir melhor, ladeado pela presidente do Flamengo, Patricia Amorim, o vice-presidente de futebol, Paulo Cesar Coutinho, e o diretor executivo do clube, Zinho. Diante deles, garantiu empenho para cumprir horários e obrigações. ''Nunca neguei meus erros. Tive grande parte de culpa nisso tudo'', disse Adriano, referindo-se aos últimos dois anos, quando passou mais tempo a se recuperar de lesões graves do que jogando futebol.
Apesar de ter sido uma sombra de si mesmo desde que deixou o Flamengo em 2010, para passagens frustradas por Roma e Corinthians, a figura de Adriano ainda mobiliza e provoca interesse. Atestado pela enorme quantidade de câmeras e jornalistas em busca de suas palavras. ''Eu sei da pressão que existe sobre mim. Mas nunca me considerei o 'Imperador'. Sou humilde. Nunca gostei disso'', disse o jogador, citando o apelido que ganhou na época em que brilhava na Inter de Milão.
No fim das contas, o acordo pode ser vantajoso para ambos os lados. O clube vai gastar pouco num primeiro momento, com Adriano recebendo um piso bem abaixo dos demais atletas de primeiro escalão do elenco e mais bônus por jogos disputados e metas atingidas, como gols e títulos. O contrato também é curto, até o fim do ano. Se Adriano não se recuperar física e emocionalmente até lá - voltando agora de grave contusão, ele está sem jogar desde março e não quis dar nem uma previsão de quando poderá estrear -, o prejuízo flamenguista será mínimo.
Se o Imperador justificar o apelido novamente, como na campanha de 2009, quando foi campeão e artilheiro do Brasileirão pelo Flamengo, o retorno será enorme e um novo compromisso para 2013 pode ser feito. A bola está novamente com Adriano, que, como ele próprio admitiu, terá ''a última chance''.

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