Da jovem sonhadora do interior catarinense para a seleção brasileira de vôlei feminino infanto-juvenil. Adriane Matte, 17 anos, foi convocada para integrar o grupo de 21 atletas que começa a se preparar para o Mundial da categoria, no Quênia, em setembro.
Adriane é natural de Guaraciaba, município de Santa Catarina de pouco mais de 10 mil habitantes. Até os 14 anos sequer se interessava por esportes e, aos poucos, com o incentivo dos pais e a vocação natural para o vôlei a moça que hoje beira 1,90 metro de altura já tinha estatura incomum ingressou na escolinha de vôlei de sua cidade.
E foi numa das eventuais ''peneiradas'' que a garota acabou sendo escolhida pelo técnico do Londrina Vôlei Clube, Ney Inácio da Silva, para passar a viver no Norte paranaense. E então, em apenas dois anos atuando pelo Londrina, Adriane conseguiu o que era apenas um sonho de todo atleta: a convocação para a seleção brasileira. Não houve surpresa pela notícia, segundo o treinador, porque a meio-de-rede do Londrina já vinha apresentando evolução em todos os atributos do vôlei. ''Esse já é o fruto de dois anos de trabalho com essa equipe. Temos pelo menos três ou quatro jogadoras convocáveis e Adriane é uma da melhores desse grupo'', elogia.
Treinador e jogadora concordam em um aspecto: a rapidez com que a atleta aprimorou sua técnica no vôlei. A atleta começou a jogar com uma idade avançada para competições e, em dois anos de treinos, já chega à seleção. ''Eu sempre fui alta mas nunca gostei de esportes. Com o incentivo de meus pais e de meus amigos fui treinando e desenvolvendo, evoluindo até que quando fui perceber já estava completamente envolvida pelo vôlei'', diz.
Mas a rápida ascensão na carreira não foi fácil. Assim como outras milhares de garotas que decidem jogar vôlei, Adriane também deixou tudo para trás em busca da grande chance de sua vida. ''Sinto muita saudade de minha família e dos amigos. Larguei tudo para começar uma nova vida aqui. A gente só consegue superar as dificuldades porque as outras garotas também têm o mesmo problema. Assim, a gente acaba se unindo e encontrando mais força e garra para continuar lutando'', fala, ao lembrar principalmente de quando ainda tinha 15 anos, no início de suas atividades na equipe londrinense.
E tanto esforço e dedicação já começa a mudar sua vida. ''Hoje tenho um tratamento totalmente diferente''. Toda vez que Adriane volta para a pequena cidade de Guaraciaba tem o recebimento digna de uma pop star. ''As pessoas me reconhecem, sempre querem me pagar as coisas. Elas dizem 'deixa que eu pago que é para a seleção'. É engraçado''.
Em Londrina, já adaptada à vida que escolheu, Adriane divide seu tempo entre os estudos do 3º colegial no Colégio Champagnat com os intensos treinos. Durante o tempo livre para o lazer, ela sai com as garotas para uma balada ou outra, sempre sob observação de alguém da comissão técnica. Mesmo assim não reclama da falta de liberdade. ''Eu sei que preciso me dedicar e tenho que deixar algumas coisas de lado. Mas mesmo assim não largo o vôlei por nada'', diz, convicta.

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