Adriana já sabe o que fazer com o prêmio
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terça-feira, 02 de janeiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Adriana de Sousa, quarta colocada e melhor brasileira classificada na 76 ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, a última do segundo milênio, a prova foi vencida pela atleta Lydia Cheromei, do Quênia iniciou o ano de 2001 com o bolso mais recheado do que nunca. Ganhou um prêmio de R$ 2 mil e um Gol zero-quilômetro. Além do dinheiro extra que conseguirá com a venda do veículo, preferiu ficar com o seu Santana, ano 1990, que segundo ela, gasta por mês cerca de R$ 150 de combustível. Quero comprar um terreno em Maringá, no Paraná, onde estou morando há nove meses, explicou a atleta, de 27 anos, e que desde 1992 se dedica exclusivamente a carreira de atleta, mas só a há três anos tem patrocínio. Acho mais importante ter uma casa do que um carro zero.
A atleta, que embarca hoje para o Uruguai, onde disputará pela primeira vez a Corrida Internacional de San Fernando, na sexta-feira, em Punta del Leste, e a San Felipe, no domingo, em Montevidéu - ambas de 10 km -, quer convencer os patrocinadores a aumentar seu salário.
Tenho até vergonha de falar o quanto ganho, R$ 350 por mês. Mas depois deste resultado na São Silvestre, acho que vou conseguir melhor um pouco, acredita Adriana, que aumenta sua renda mensal com as premiações. Explica que com a Fundação Paulista tem um acordo verbal, e com a Sistema de Saúde São Judas, o contrato vence em julho. Quando disputa as provas de pista, ganha uma ajuda de custo da Associação Atlética Maringá, que não sabe se continuará a receber. Um tênis novo custa aproximadamente R$ 230. Com vitaminas gasto uns 150 reais e de supermercado, outros 400.
Lembrou que por causa do quarto lugar na Volta da Pampulha, em Porto Alegre, em novembro, conseguiu convencê-los após longas conversas a pagar a passagem de avião, cerca de R$ 730. Eu dividi em várias vezes e como fui bem na prova, fiz os 17km850 em 1h02min54, eles vão pagar as parcelas para mim.
De família humilde, a atleta, que nasceu em Ibiporã, no Paraná, tinha que se dividir entre o atletismo e os empregos de secretária na prefeitura de Paraguaçu Paulista e de técnica de futebol de salão e campo. Adriana comandava o time masculino de 7 a 16 anos, chamado de Plataforma, e às vezes atuava na equipe feminina como zagueira. Como técnica fui duas vezes campeã estadual, diz orgulhosa.
Durante dois anos, usava mais sua chuteira do que a sapatilha de corrida. Era impossível treinar como profissional sem nenhuma ajuda financeira. Assim, adiou até 1992 o sonho de se dedicar ao atletismo. Só depois disso parei tudo para tentar ser uma atleta. E no Brasil isso é muito difícil.
Mesmo mantendo-se entre o terceiro e quarto lugares em todas as provas que disputou em 2000, Adriana diz que não esperava ir tão bem na São Silvestre, no domingo. Há apenas dois meses começou a treinar forte, cerca de 25 km por dia, visando a disputa da Copa Brasil de Cross Country, em fevereiro, no Rio, que é seletiva para o Sul-americano e Mundial da categoria. Explica que a seleção brasileira precisa ficar em primeiro ou em segundo lugar no continente para conseguir vaga mundial. Meu objetivo era priorizar a São Silvestre de 2001, observou Adriana, a atual campeã brasileira de cross country. A tática era correr entre as brasileiras e manter o meu resultado de 1999. Na penúltima edição da São Silvestre ela foi a terceira melhor brasileira e 11 ª na geral.


