O Brasil teve um bom desempenho no décimo dia de competições da Paraolimpíada de Sydney. Novamente o hino brasileiro foi ouvido no Estádio Olímpico e mais um recorde mundial foi batido por um paratleta brasileiro. A façanha desta vez coube a Ádria Santos que bateu o recorde mundial dos 200m (T-11), com o tempo de 24s99. Foi a segunda medalha de ouro conquistada por ela em Sydney. A espanhola Purificación Santamarta havia chegado em primeiro, mas foi desclassificada porque seu guia, Javier Scaño, (a prova é para deficientes visuais) correu à sua frente. O segundo lugar ficou com a italiana Maria Ligório, 26s62 e a atleta Tracey Hinton, da Grã-Bretanha, chegou em terceiro, com 27s31.
A outra grande conquista brasileira em Sydney no dia de ontem saiu das piscinas. O nadador Clodoaldo Silva garantiu bronze para o Brasil na prova dos 50m (S4) cravando o tempo de 41s62. O primeiro lugar ficou com o espanhol Ricardo Oribe, que estabeleceu o novo recorde mundial para a prova (38s84). A medalha de prata ficou Luca Mazzoni, da Itália (39s86).
Com as conquistas de ontem o Brasil chegou a 16 medalhas nos Jogos Paraolímpicos de Sydney, sendo cinco de ouro com Antônio Tenório (judô – menos de 90 kg), Ádria Rocha (atletismo, 100 metros T-11/200 e 400 metros T-11), Roseane Santos (atletismo, arremeso de peso-F58) e Roseane Santos (atletismo, lancamento de disco-F58). Sete medalhas de prata com Ádria Rocha (atletismo, 400 metros T11), Luiz Silva (natação, 50 borboleta S6), Antônio Delfino (atletismo, 400 metros), revezamento da natação 4x50 livre, André Luiz (atletismo, 100 metros), Clodoaldo da Silva (natação, 100 metros-S4) e Adriano Gomes (natação, 100 metros-S6); e quatro medalhas de bronze com Genesi Alves (natação), Anderson Santos (lançamento de disco), revezamento 4x100 livre e Clodoaldo da Silva (natação, 50 metros).
Adria: novo recorde A mineira de Nanuque voltou a presentear o Brasil com outra bela apresentação no Estádio Olímpico. Com grande performance na pista de atletismo, Ádria Santos venceu a prova dos 200 metros, bateu o recorde da prova e voltou a levar a bandeira brasileira no mais alto lugar do pódio. A emoção foi grande também na premiação, quando o hino nacional brasileiro foi tocado. A torcida brasileira no Estádio Olímpico vibrou com esta conquista.
Na entrevista coletiva, a atleta disse que foi justa a punição da espanhola pois eles estavam sendo desonestos. ‘‘A regra é clara e proíbe que o guia puxe ou mesmo fique à frente da atleta. Só fiquei sabendo que ele tinha puxado a atleta depois da prova. Ainda bem que eles (membros da comissão disciplinar) fizeram certo ao puní-la. Esta medalha tem sabor de vingança para mim, pois sei que estava sendo roubada’’, contou.
Com a conquista, Ádria soma nove medalhas em Paraolimpíadas. Em Seul, 1998, foram duas de prata nos 100 e 400 metros. Em Barcelona, 1992, uma de ouro nos 100 metros; em Atlanta, 1996, três de prata nos 100, 200 e 400 metros e em Sydney, duas de ouro nos 100 e 200 metros e uma de prata nos 400 metros. Ádria é maior detentora de medalhas no paradesporto brasileiro.