Adrenalina na Ladeira do Santinho
Velocidade e estilo. É o que move as cabeças de skatistas que se mandam à mil ladeira abaixo experimentando níveis críticos de adrenalina. Sobre quatro rodinhas e um pranchão de madeira (daí o nome longboard), deslizam num pavimento áspero, pouco convidativo, de asfalto. O medo de esfolar-se alia-se à fantástica velocidade, atingindo a marca dos 60 Km/h, fazendo da modalidade uma das mais radicais praticadas em terra firme... Freio? Só apelando para os inusitados slides, manobra em que o praticante gira o skate 90 graus e sai derrapando, diminuindo a velocidade. A manobra precisa ser feita com controle e confiança. Um pequeno deslize, pele no asfalto...
A Ladeira do Santinho tem uma extensão de 500 metros, desemboca na praia e proporciona a cada descida o alucinante visual do mar, da areia e, quando está quente, a melhor hora do longboard fica para as mágicas cores do fim-de-tarde.
Diferente das outras modalidades, como o street (na rua) e half pipes (rampas de madeira em forma de U), o longboard do skate muito se assemelha ao do surf, de pranchas maiores. O estilo clássico de fazer as curvas, andar sobre a superfície do skate, cruzar as pernas, realizar um hang ten (dois pés no bico), levantar os braços enquanto se surfa, seja no mar ou no asfalto, remete ao secular espírito havaiano de deslizar sobre as ondas, principal fonte inspiradora de todos os esportes praticados sobre pranchas.
Longboard, o Avô do Skate
Da bela praia do Costão do Santinho, norte de Florianópolis, às inúmeras esquinas dominadas por skatistas nos quatro cantos do globo, o longboard é a modalidade precursora, que originou esta imensa tribo nos idos anos 50 da distante Califórnia.
Foram nos dias flat, sem ondas, que os surfistas californianos, ociosos, inventaram o skate, nas versão longboard, adaptando rodinhas em pedaços de madeira, e se aventuravam pelas lisas calçadas de suas cidades, característica que valeu ao estado a fama de ser a meca mundial do esporte.
Na década de 70, o skate experimentou uma evolução impressionante, encurtando as pranchas e inovando em novas manobras e modalidades; como o street, abusando de corrimãos, escadas e demais obstáculos encontrados nas ruas; e nas rampas e half pipes, arrepiando em saltos ousados e radicais. Nessa época o long estagnou, cedendo lugar às outras modalidades. Só nos anos 90 o adormecido estilo voltou para as ladeiras, chegando no Brasil, precisamente em 97, conta Márcio Martins, atleta e um dos principais fabricantes de longboards no país, da marca Planet Summer.
Dicas de Segurança
Para cair basta estar de pé... Na verdade nunca sabemos quando isso pode acontecer. Apesar da maioria dos atletas do Santinho praticarem o longboard skate sem a precaução do uso de equipamento de segurança, é imprescindível, no propósito de salvar a pele (literalmente), andar com capacete, cotoveleira, joelheira, roupas de couro. E ainda assim, é preciso usar a criatividade para adaptar ou improvisar novos equipamentos, do tipo: luvas de lixeiro com placas de polietileno, sapatos com borracha de pneu de carro colada na sola, munhequeiras ortopédicas...
SERVIÇO
Os shapes, pranchas, Planet Summer podem ser encontrados nas lojas Dropdead em todo o Brasil. Encomendas e informações, contate Márcio Martins no e-mail: [email protected] ou pelo telefone [0xx48] 369-2761.
Onde ficar: Hotel Ardentia, na Praia dos Ingleses. Contatos: www.ardentia.com.br ou pelo telefone [0xx48] 269-1388.
Sítios Arqueológicos dão Magia e Misticismo ao Point
Na ladeira do santinho, a adrenalina é vivenciada em meio a um ambiente místico e milenar, de história incerta e envolvente. Os costões do Santinho e dos Ingleses, localizados nas extremidades da praia, hospedam em suas rochas vestígios de outras civilizações, anteriores a Cabral, que habitaram a Ilha de Santa Catarina - grupos sambaquis, itacarés e carijós. Rochas desenhadas com pinturas rupestres e com sinais característicos de afiação de instrumentos de pedra (oficinas líticas) parecem estar marcadas para a eternidade. Não se sabe a data de tais sítios, mas estima-se que ultrapasse os 5 mil anos. A ação da pedra sobre pedra, sem resíduos orgânicos, impossibilita a constatação da idade das marcas pelo carbono 14. Na ilha do Campeche, do Arvoredo, Galheta, Corais, Aranhas e nas praias Mole, Solidão, Naufragados, entre outros, podem ser apreciados outros sítios arqueológicos. A educação de turistas, tendo em vista a depredação e extinção de vários locais marcados pelo passado, vem constituindo um dos principais esforços da comunidade local. A visitação correta e consciente preserva a cultura pré-colombina de Santa Catarina para gerações futuras.





