Bonn - A estréia na Copa do Mundo, amanhã, contra a Austrália, está chegando e a adrenalina é inevitável. Não há quem não tenha sentido essa sensação de que o coração vai explodir ou sair pela boca. Sejam latinos ou os povos considerados menos emotivos, é difícil se livrar daquele friozinho na barriga. Vivendo há 11 anos no Japão e naturalizado japonês, o lateral-esquerdo Alex, nascido em Maringá, não tem a menor dúvida de que seus companheiros de time também enfrentam esse problema: como controlar o nervosismo num jogo-chave para as pretensões japonesas de avançar no Mundial? Em sua segunda Copa, Alex diz que não há fórmula certa.
''Quem disser que não sente aquele friozinho na barriga quando a partida está começando, está mentindo. Mas depois com o desenrolar do tempo, o nervosismo passa. Para alguns demora mais um pouco, para outros é mais rápido.''
Alex acha que é muito mais fácil controlar o emocional estando em campo do que na arquibancada. Segundo ele, o limite para o nervosismo é a concentração no papel que você está desempenhando naquele momento. ''Há uma diferença muito grande entre o jogo que você vê e o jogo que você joga. Quando eu era torcedor, ficava nervoso, quem vê o jogo da arquibancada sente mais emoção. Lá em campo a gente tem que ser meio frio. Jogador não vive só de emoção. Tem que ter a cabeça fria para fazer bem sua função em campo. Quando a bola rola, a tendência é você controlar sua emoção e passar a desenvolver seu futebol normalmente'', explica.
Apesar da certeza de que o oriental tem total domínio sobre seus nervos em situações adversas e até críticas, existe na seleção do Japão a ansiedade normal pela proximidade da estréia. Outros jogadores já confirmaram isso durante a semana e o lateral-esquerdo reafirma que as horas parecem passar lentamente, de uma forma quase desesperadora. Ao mesmo tempo, todos sabem que é preciso ter paciência a maturidade para atingir o momento tão esperado.
''A tensão é inevitável, mas o ambiente não fica tão pesado como pode parecer. O grupo é muito bom, todos se dão bem e os momentos de alegria superam a ansiedade. Todos sabemos que Copa do Mundo é ganha nos detalhes e que o jogo de estréia é fundamental. Um errinho e vai tudo por água abaixo. É preciso concentração máxima e é nisso em que a gente tenta botar toda nossa atenção e esquecer a ansiedade''.
Adversário Os jogadores têm visto uma série de jogos da Austrália, amistosos ou oficiais, alguns gravados por Júnior e Tita, observadores de Zico, que estão acompanhando de perto os movimentos do primeiro adversário japonês. Teoricamente, o adversário está bem destrinchado, mas até agora ninguém falou como é a melhor forma de enfrentá-los.
''O Japão sabe jogar tanto encolhido e esperando o adversário, para tentar o contra-ataque, como marcando por pressão. Isso vai depender das características do jogo, mas creio que ninguém vai antecipar a maneira como nós vamos jogar'', disse Alex.
Mostrando que sua equipe está bem afinada também fora de campo, Zico disfarça quando fala do rival. ''Conhecemos bem a forte equipe da Austrália. Temos informações sobre os jogadores, que atuam no futebol inglês, holandês e italiano. Se não fossem bons, não jogariam nesses países'', concluiu Zico.

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